Para saber como o uso da Andragogia pode fazer uma empresa lucrar e atingir metas mais rapidamente, precisamos nos aprofundar no conceito e na sua concepção.

O termo Andragogia surgiu em 1833 pela primeira vez através do professor alemão Alexander Kapp, que em seu livro “Platon’s Erziehungslehre”, traduzindo para o português significa  “Ideias Educacionais de Platão”, exemplificou a teoria de que, para ensinar adultos é primordial uma metodologia diferente, onde aproveitar os conhecimentos práticos deste aluno adulto faria toda diferença no tempo e na qualidade do aprendizado.

Kapp é citado como criador da Andragogia e fez referências sobre a educação empresarial enumerando a evolução dos profissionais, como soldado, orador entre outros através da auto-reflexão e experiência de vida de cada pessoa.

O método ficou sem seguidores até 1921, quando ressurgiu Eugen Rosenstock-Huessy, um pensador alemão que começou aplicar os conceitos de Kapp. Pouco tempo depois, em 1926, um educador americano Eduard Christian Lindeman buscando mais conhecimento sobre o assunto foi para a Alemanha e lá aprendeu na prática como eram aplicados esses conceitos sobre como educar adultos trabalhadores e que eram  necessários professores com formação especial para ensinar um adulto.

Além de Eugen Rosenstock-Huessy, Ernst Michel e Wilhelm Sturmfels também tiveram papéis importantes na aplicabilidade da Andragogia, mas foi com o fim da primeira guerra mundial, que a Alemanha, buscando maneiras de como fazer com que os trabalhadores pudessem se envolver na tarefa de reconstruir o país, usou técnicas de Andragogia dentro das indústrias e neste contexto o educador americano Lindeman esteve envolvido com as práticas educacionais e estudos feitos pela Academia de Trabalho de Frankfurt (Frankfurt Academy of Labor)

Eduard Christian Lindemann fez contribuições importantes e duradouras para o desenvolvimento genérico conceitual da educação de adultos americana, mas foi Malcolm Shepherd Knowles que espalhou o conceito de Andragogia criado por Kapp, e por isso é considerado por muitos como pai da Andragogia.

Malcolm Shepherd Knowles desenvolveu a teoria humanista de aprendizagem. Toda sua busca e visão pode proporcionar um caminho de aprendizagem diferenciada para adultos, o que popularizou a Andragogia na década de 70.

Knowles defendia cinco princípios que são referencias até hoje na educação de trabalhadores adultos, seja na alfabetização ou na formação do adulto em trabalhos industriais ou no aperfeiçoamento de processos e mudanças de paradigmas para adultos gestores e administradores.

A correta aplicabilidade destes princípios possibilita uma melhoria no desenvolvimento do aprendizado de adulto num período de tempo menor do que quando não aplicado.

Num universo corporativo onde o engajamento, a alta performance e a criatividade são tripés da produtividade, o aprendizado acelerado é moeda valiosa para qualquer programa de Treinamento e Desenvolvimento elaborado pela área de gestão de pessoas.

Mas como desenvolver pessoas baseada nestes princípios?

Primeiramente é necessário cultivar a autonomia, pois a medida, em que o adulto se sente impelido a tomar suas próprias decisões, ele torna-se mais independente e sua autoestima eleva seu nível da prontidão para aprender que é o fator primordial para estimular o interesse em aprender. No adulto, o verdadeiro desejo de aprender estabelece conexões neurológicas que o motiva e estimula.

Estando disposto a aprender, é necessário relacionar situações reais com a experiência de vida para ter uma base que o impulsione a conhecer o modelo de novos conceitos, o que é possível através da assimilação das suas vivências com o que se busca ensinar.

O quarto princípio é a motivação para aprender, que no adulto não letrado ou executivo, são as mesmas motivações internas que determinam a velocidade do aprendizado. Essas motivações referem-se a valores e objetivos pessoais de cada um e precisam ser identificadas para um planejamento do PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) ou por área.

Por fim, a aplicação da aprendizagem, que no adulto acontece com maior resultado quando a aplicação é imediata e centrada em resolução de problemas, ou seja, é o inverso de estudo e parte prática e sim parte prática e depois explicar ao adulto as fontes de referência.

A utilização correta desses princípios proporciona um grande diferencial na qualidade e velocidade do aprendizado dentro das empresas.

Para elaborar um plano de treinamento e desenvolvimento usando os princípios de Andragogia é necessário primeiramente conhecer o ser humano. Conhecer as crenças da pessoa a ser instruída, seus sonhos, suas vivências profissionais e pessoais e posteriormente entender com detalhes o mapeamento de processo do trabalho que este adulto realiza dentro da empresa.

É um trabalho que não pode ser feito por amadores, mas sim por profissionais de RH comprometidos, conhecedores das ferramentas adequadas para gestão de pessoas e, sobretudo, engajados para o desenvolvimento de talentos.

O uso de ferramentas adequadas para o levantamento dos dois tipos de diagnósticos (crenças pessoais e mapeamento de processos) irá facilitar o trabalho, que realizado com empenho determinará ganhos e eficiência no aprendizado de adultos dentro de qualquer área da empresa.

Com base nestes levantamentos é possível definir um planejamento estratégico que esteja sincronizado com o PDI (Plano de Desenvolvimento Individual) do funcionário e elevar exponencialmente os resultados com treinamento e desenvolvimento.

Os treinamentos são mais assertivos e produzem mudanças num prazo mais rápido nos funcionários, independente do seu nível intelectual. Desta forma o ganho não é apenas com a qualidade do aprendizado que é ensinado, mas também no melhor aproveitamento da hora de trabalho.

Sua empresa irá lucrar, pois a ferramenta associa ética no aprendizado e valorização da pessoa para potencialização de seus talentos dentro do ambiente de trabalho. Não é mágica, é Andragogia!

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