Um desejo recorrente entre diversas empresas é contar com pessoas que tenham o tal do sentimento de dono. Mas de onde vem essa expressão? Na língua inglesa, temos a palavra ownership, que, de acordo com o dicionário, tem a seguinte definição:

the act, state, or right of possessing something.

Em tradução sugerida pelo google translate, temos o seguinte:

o ato, estado ou direito de possuir algo.

Ou seja, queremos pessoas trabalhando na empresa que entendam que aquilo também é delas. Esse é um sentimento claramente cultivado dentro dos(as) fundadores(as) da empresa. Mas como escalar isso para o resto da organização?

Consequências do sentimento de dono

Parando para analisar um pouco mais, o que provavelmente queremos é a consequência do sentimento de dono. Pense um pouco sobre as pessoas que são donas de negócios que você conhece, elas possuem alguns dos comportamentos abaixo?

  • Muitas vezes trabalham mais do que apenas as horas convencionais
  • De vez em quando trabalham inclusive durante o final de semana
  • Continuam falando sobre o trabalho, mesmo quando não estão trabalhando
  • Demonstram uma preocupação grande com a saúde do negócio, de vez em quando até acima da própria saúde
  • Estão sempre tentando achar novas maneiras de fazer o negócio prosperar

Tenho certeza que podemos colocar muito mais itens nessa lista. Claro que tudo precisa ter um equilíbrio, mas esses comportamentos tendem a ajudar a empresa a crescer durante sua vida.

No fim, queremos pessoas que realmente estejam dispostas a querer ajudar a organização.

Como faço para escalar o sentimento de dono pela organização?

Aqui reside um grande desafio dentro do mercado. E também, na minha opinião, reside uma grande armadilha, principalmente nas contratações. Já estive em eventos onde foi dito que um filtro de contratação é justamente a pessoa possuir sentimento de dono.

Como que alguém pode ter um sentimento de dono sem ter passado um tempo naquele lugar? A expressão sentimento de dono, como já falamos, tem um motivo. Você quer que outras pessoas pensem como dono. Vamos tentar listar algumas consequências positivas para quem é o(a) dono(a) de um negócio.

  • Reconhecimento.
  • Recompensa financeira.
  • Desenvolvimento da carreira.
  • Impacto na sociedade.

Se você é dono(a), imagino que consiga adicionar ainda mais consequências. Claro que o(a) dono(a) também carrega os riscos que envolvem a gestão de um negócio. Agora, quais são as consequências positivas para um(a) funcionário(a) que possui comportamentos que remetem a um dono?

  • Recompensa financeira?
  • Reconhecimento?
  • Desenvolvimento na carreira?
  • Impacto na sociedade?

Repare que eu deixei as consequências agora com interrogações. A verdade é: se você quer que a pessoa pense como dona, ela precisa ser tratada como dona :).

O que os livros escritos por pessoa da indústria nos contam

Existem muitos livros que falam sobre histórias de sucesso dentro das mais variadas empresas e situações. Aqui deixo uma lista de alguns que considero super interessantes.

  1. Extreme Teams: Why Pixar, Netflix, AirBnB, and Other Cutting-Edge Companies Succeed Where Most Fail
  2. Vital Friends: The People You Can’t Afford to Live Without
  3. It’s Your Ship: Management Techniques from the Best Damn Ship in the Navy
  4. Creativity, Inc.: Overcoming the Unseen Forces That Stand in the Way of True Inspiration
  5. Lean In: Women, Work, and the Will to Lead (vai além do feminismo, recomendo fortemente)
  6. Drive: The Surprising Truth About What Motivates Us
  7. Switch: How to Change Things When Change Is Hard
  8. Extreme Ownership: How U.S. Navy SEALs Lead and Win
  9. The Five Dysfunctions of a Team: A Leadership Fable
  10. Radical Candor: Be a Kick-Ass Boss Without Losing Your Humanity
  11. In Search of Excellence
  12. High Output Management
  13. Disney U – How Disney University Develops the World’s Most Engaged, Loyal, and Customer-Centric Employees

Um tema que cruza quase todos os livros é: Empresas que brilham têm sempre gente trabalhando em busca de excelência. E para essas empresas chegarem nesse nível, elas investiram muito nas pessoas, em criar ambientes onde as potencialidades possam florescer e, consequentemente, onde o sentimento de dono possa ser construído.

E o que a ciência fala sobre sentimento de dono?

Deixei um livro especial para o final, para falarmos justamente sobre testes mais formais que foram feitos sobre a construção do sentimento de dono.

  • Trust Factor: The Science of Creating High-Performance Companies

Paul J. Zak, é o autor deste livro. Na verdade o livro é inspirado totalmente no artigo científico THE NEUROSCIENCE OF HIGH-TRUST ORGANIZATIONS. Esse poderia ser até apenas mais um artigo e é super novo, de 2017. Olhar só para o artigo pareceria uma loucura, mas quando você olha para tudo que foi escrito nos livros, observa o que é praticado nas empresas e volta para o artigo, você percebe que ele realmente achou um caminho muito promissor.

O resumo da ópera é que a pesquisa coloca a construção da confiança como o pavimento necessário para o aparecimento do sentimento de dono. Por sinal é o próprio artigo que define que o sentimento de dono causa o desejo de querer ajudar dos(as) funcionários(as). E para que a confiança seja desenvolvida, o artigo sugere o investimento em oito pilares de gestão.

  1. Ovation – Pratique o reconhecimento
  2. Expectation – Desafie pessoas e times
  3. Invest – Invista no desenvolvimento das pessoas e dos times
  4. Yield – Autonomia sobre implementação das tarefas
  5. Transfer – Autonomia sobre decisão de quais projetos participar
  6. Openness – Facilite a transparência das informações
  7. Caring – Proponha um ambiente onde a amizade possa florescer
  8. Natural – Encare a honestidade e vulnerabilidade como forças das pessoas e times

Caso você volte para os livros de gestão que já leu, ou para os que eu listei acima, vai perceber que os pilares em si não trazem nada de super inovador. Tudo, de alguma forma, é comentado e praticado mundo a fora. Só que agora você tem esse conjunto de práticas analisadas e que podem ser aplicadas de forma super estratégica. É um caminho que tem tudo para ser benéfico para as pessoas e para a empresa.

 

Alberto Luiz Souza
Facilitador de trabalho e educação no Grupo Caelum
Alberto é o responsável pela experiência das pessoas no Grupo Caelum. Uma empresa fincada no ramo da educação e bem reconhecida no setor de tecnologia através de nossos cursos presenciais e online.