O capital humano é o recurso mais valioso de uma empresa. Infelizmente, a produtividade dos colaboradores é impactada negativamente por estresse, questões emocionais e comportamentais. Aliás, a maioria das demissões ocorre por falta de desempenho, problemas de comportamento e de relacionamento, ou seja, todas funções ligadas à mente dos colaboradores.

A cada ano, 25% a 40% dos colaboradores têm algum transtorno mental, sendo a maior causa de prejuízo funcional e afastamento em trabalhadores não braçais. Essas pessoas com ansiedade e depressão tentam fingir que estão bem para evitar o estigma. O pior é que somente cerca de um terço delas recebe algum tipo de tratamento.  Enquanto isso, as empresas sofrem um impacto silencioso que derruba sua produtividade.

Segundo um estudo recente da OMS, o Brasil é o país com maior nível de ansiedade e o terceiro com mais depressão no mundo. Obviamente esse quadro tem impacto na saúde das empresas também. Não dá mais para negar esse problema.

 

Uma mudança de mentalidade

As empresas procuram promover Conhecimentos, Habilidades e Atitudes (modelo CHA) em seus colaboradores, o que é ótimo. No entanto, pagam um alto preço por não abordarem suas questões emocionais e comportamentais mais profundas de modo efetivo, já que o desempenho depende do equilíbrio emocional e da resiliência.

A verdade é que poucas empresas conhecem ou adotam formas efetivas de abordar essas questões por encontrarem muitas barreiras.

 

As barreiras que precisam ser superadas

Existem ainda muitas barreiras à saúde mental, como estigma, acesso a bons profissionais, privacidade e alto custo. Em função disso, as soluções atuais para a saúde mental (programas de apoio a empregados e planos de saúde) geralmente são tardios e só atingem a minoria (cerca de 15-30% dos colaboradores) que vence essas barreiras.

Mas mesmo sendo um assunto sensível, vale a pena investir: um importante estudo mostrou que cada 1 dólar investido na saúde mental dos trabalhadores gera o retorno de 4 dólares para a empresa, mesmo usando os métodos tradicionais.

Felizmente, novas abordagens estão ajudando a superar essas barreiras.

 

A revolução do autoconhecimento

Nos últimos 20 anos houve um avanço enorme nas neurociências do comportamento e na psicologia. Além disso outros métodos de autoconhecimento, como a meditação, têm sido cada vez mais pesquisados e difundidos.

Com a revolução tecnológica, o acesso a esses recursos também aumentou muito, já que hoje é possível fazer uma sessão de terapia por videochamada, por exemplo. Mais do que isso, aplicativos de celulares são novas mídias que dão acesso a conteúdos e experiências tão eficazes quanto tratamentos convencionais a um custo muito reduzido por colaborador (cerca de 50x mais barato do que sessões individuais com um terapeuta ou coach).

Ao promover o desenvolvimento pessoal em massa pelo autoconhecimento, pode-se prevenir e até tratar transtornos psiquiátricos, como ansiedade e depressão, além de ajudar em doenças psicossomáticas, como dores de cabeça, gastrite e psoríase. Com o aumento da resiliência e capacidades socioemocionais, a produtividade aumenta, o clima organizacional e o vínculo do colaborador com a empresa melhoram, e os custos diretos e indiretos com saúde, como afastamentos, turnover e sinistralidade, diminuem.

Depois de décadas falando em exercícios físicos e alimentação, chegou a hora das empresas olharem para o que mais impacta negativa ou positivamente as suas organizações: a mente dos seus colaboradores.

 

Diogo Lara, PhD. 

Cofundador do aplicativo Cíngulo
É médico psiquiatra, PhD, ex-professor titular e pesquisador da PUCRS e autor de145 artigos científicos em Neurociências do Comportamento. Autor dos livros Temperamento Forte Bipolaridade e Imersão e cofundador do aplicativo de autoconhecimento Cíngulo.