Imagine se alguém pedisse que você deixasse seu coração do lado de fora antes de entrar em um restaurante. Ou que você deixasse sua mente em casa antes de ir para um cinema. Impossível, não é mesmo?

E o que você está pedindo a você mesmo, quando tenta separar as emoções e “deixar em casa” seu coração quando vai para o trabalho? E ainda, quando quer colocar “cada coisa em seu lugar” e procura não compartilhar suas inquietudes particulares com os relacionamentos importantes de sua vida? Não seria a mesma coisa que pedir para “deixar seu coração do lado de fora”?

Cada vez mais a ciência mostra a conexão entre nossas emoções, nossos pensamentos e nossa saúde física, emocional e mental. Está tudo interconectado. Ligado. Emaranhado. Tudo junto e misturado!

Humanizar. É voltar nosso olhar para este “eu verdadeiro”, para a nossa essência. E muitas vezes é um processo desafiador. Um processo que pode abrir caixas escondidas, como “caixas de Pandora”, com as quais nem sempre estamos preparados para nos encontrar. Mas é neste trabalho de ganhar consciência de quem somos, integralmente, com todas as nossas partes e facetas, todas as nossas fortalezas e fragilidades, que vamos poder acessar muito mais de nosso potencial de realização, nossos sonhos, satisfação de nossos propósitos e felicidade.

“Humanizar. É voltar nosso olhar para este “eu verdadeiro”, para a nossa essência. E muitas vezes é um processo desafiador. Um processo que pode abrir caixas escondidas, como “caixas de Pandora”, com as quais nem sempre estamos preparados para nos encontrar.”

É aqui que entra a Neurociência para nos auxiliar. Conhecer e entender melhor como funciona nossa mente, esta máquina misteriosa e maravilhosa que está, a cada dia, sendo mais desvendada, é um dos principais mecanismos para despertarmos a nossa consciência.

Já sentiu às vezes como se sua mente fosse um oceano: ora um maremoto de pensamentos, ora um pacífico mar de águas claras e cristalinas? Oscilando entre rápido-devagar, rápido-devagar, rápido-devagar? É assim que funciona o nosso cérebro, como descreve o Nobel de Economia, Daniel Kahneman em sua obra “Rápido e Devagar, duas formas de pensar”. Os chamados “Sistema 1 – rápido, impulsivo, imediato” e o “Sistema 2 – devagar, ponderado, planejado”, atuam constantemente em nossa mente e direcionam nossas decisões. E estudos mostram que vivemos muito mais no Sistema 1, o que muitas vezes nos coloca em situações bastante complicadas. A boa notícia é que é possível “educar” e voltar nossos pensamentos para o Sistema 2.

O nosso momento de mundo atual naturalmente nos impulsiona para o Sistema 1. Pressões diárias, medos e inseguranças, infinidade de informações e expectativas, muitos papéis a realizar e menos tempo para tantas tarefas. Ufa! O Sistema 1, ou Sistema Límbico, criado para nos proteger do perigo, aciona os mecanismos de defesa (luta-fuga-congela), e a nossa Amídala Cerebral, responsável pelo medo, entra em ação. O medo nada mais é que um mecanismo biológico de proteção.

O segredo então está em aprender a direcionar nossos pensamentos e emoções para o Sistema 2. O Sistema do Córtex Frontal, o sistema que pensa, pondera e planeja, e que nos dá a capacidade de enxergar o que é realidade, dar a correta dimensão dos acontecimentos, desenvolver resiliência para enfrentar os desafios e criar perspectiva para a resolução.

Humanizar. Fala-se muito em inteligência emocional e criatividade como requisitos nas organizações. E ainda há quem acredite que humanizar trata-se de abraçar a árvore e fazer as pessoas mais felizes. Mas é muito mais do que isso.

Humanizar. Mais saúde. Mais engajamento. Maior produtividade. Maior motivação e interesse em pertencer. Você já viu alguém produzir o seu melhor se estiver triste ou doente? Um sorriso no rosto pode gerar resultados surpreendentes. As novas gerações e novos talentos não desejam mais do mesmo. Precisam de mais significado.

Na verdade, o que os estudos da Neurociência mostram é que a criatividade é potencializada pelas emoções contrastantes (“mixed emotions”). Portanto, não é sobre buscar ser feliz o tempo todo. E sim estar aberto, reconhecer, entender e saber lidar com os diferentes tipos de emoções que vivenciamos diariamente. É sobre desenvolver resiliência e inteligência emocional para conectar as diferentes partes do nosso cérebro, do nosso pensar, o que nos permite alcançar maior capacidade criativa. As pesquisas mostram que saber conectar os diferentes circuitos cerebrais acionados pelas emoções contrastantes é que trazem mais ideias, e ideias mais criativas.

“Você já viu alguém produzir o seu melhor se estiver triste ou doente? Um sorriso no rosto pode gerar resultados surpreendentes. As novas gerações e novos talentos não desejam mais do mesmo. Precisam de mais significado.”

Humanizar. Para ser completo, inteiro. Lado direito e esquerdo do cérebro. Raciocínio e criatividade. Emoções positivas e negativas. Cérebro e coração. Pensar, sentir e agir.

Voltando à caixa de Pandora, às vezes não é fácil entrar em contato com este mundo interior tão complexo, não é mesmo? Muitas vezes enxergamos certos comportamentos e sentimentos, mas não conseguimos transformá-los de verdade, e para não nos sentirmos dominados, fechamos a caixinha novamente. E eles continuam lá, silenciosos, mas presentes.

E aqui entra a Antroposofia. A ciência que nos ajuda a entender a conexão entre o Pensar, Sentir e Agir, e como acionar o “sentir” como mecanismo de transformação pessoal mais profunda e duradoura.

Quando conseguimos identificar e compreender as motivações de tais comportamentos e sentimentos, e ligar o nosso “sentir” com a transformação que desejamos operar, estamos usando um dos princípios da Antroposofia, onde como ser integral, precisamos conectar o Pensar, Sentir e Agir para estarmos inteiros. Somos capazes de transformações verdadeiras quando decidimos, desejamos e realmente sentimos a mudança que queremos vivenciar.

Aquela dieta que queremos fazer, a academia que queremos começar, aquela mudança de trabalho que desejamos procurar, e procrastinamos. Estão esperando a conexão da nossa real motivação com o nosso sentir para se realizarem. O que você não vê? Quais os medos e os ganhos que você tem ao procrastinar? O que você quer realmente?

“Toda mudança requer engajamento. E nós, seres humanos, só vamos nos engajar efetivamente se a mudança tocar o Pensar, Sentir e Agir de cada um de nós.”

Humanizar. Estamos falando em uma transformação das organizações como não se viu antes. Transformação digital, negócios ágeis, machine learning, inteligência artificial, big data, design thinking, cultura criativa, velocidade exponencial.

Humanizar torna-se ainda mais importante neste contexto, onde clientes, parceiros, líderes, colaboradores, fornecedores, são – antes de mais nada – humanos. Humanos desafiados por uma mudança tamanha, que aciona seus medos e inseguranças mais primários. É preciso muita empatia para trilhar com sucesso este caminho. Empatia com o outro, empatia consigo mesmo.

O que está prevenindo você de efetivamente participar e implementar a mudança? Quais os medos e inseguranças? Quais os comportamentos restritivos? Qual a sua real motivação? Qual a motivação de sua empresa para que todos embarquem inteiros nesta jornada? O que você realmente deseja?

Toda mudança requer engajamento. E nós, seres humanos, só vamos nos engajar efetivamente se a mudança tocar o Pensar, Sentir e Agir de cada um de nós.

Este é o nosso objetivo através do Neurosophia. Permitir uma transformação mais profunda e perene, através do auto-conhecimento do modelo de pensamento e da conexão com o sentir para promover a mudança. Abrir a sua caixa de Pandora. Despertar a sua transformação. O seu encontro com seu verdadeiro eu!

Neurociência + Antroposofia =  Neurosophia. Em busca de nossa essência. Nosso verdadeiro eu.

Ana Paula Lemes
Diretora Executiva na empresa Vidha Vera Consultoria em Desenvolvimento Humano e parte integrante do Human Concept Group.
20+ anos de experiência liderando grandes equipes multi-disciplinares, multi-culturais de alta performance.