Os novos modelos de gestão têm trazido muita inovação, sendo uma delas a substituição de hierarquias por equipes de setores e/ou regiões. Nesse cenário, é importante a reflexão conjunta entre gestores e RH para entender quais as melhores maneiras de formarem boas equipes.

Uma pesquisa realizada pela Deloitte Consulting LLP, nos EUA, em 2019, aponta que 8% dos entrevistados afirmaram que agora operam quase totalmente em equipes, com outros 23% dizendo que a maior parte do trabalho é feita em equipes dentro de uma estrutura hierárquica Além disso, 65% de entrevistados classificaram a capacidade de liderar através da influência como um requisito para a liderança do século XXI, construindo modelos de gestão com base na persuasão.

É possível perceber que essa abordagem tem levado algumas empresas ao sucesso. Basta observar algumas organizações de alto desempenho, como Cisco, Google e outras, que estão promovendo formação de equipes e redes em suas organizações. Elas são empresas enormes e, embora tenham muitos líderes seniores e departamentos funcionais, movimentam as pessoas rapidamente, abrem novos negócios em um estalar de dedos e têm a capacidade de iniciar e interromper projetos, transferindo as pessoas para novas funções sempre que possível para melhor desenvolvimento.

Novo desafio
Embora muitas organizações entendam as oportunidades trazidas por uma cultura voltada para as equipes, há muito mais trabalho a ser feito. Na mesma pesquisa, Deloitte constata que 65% dos entrevistados viram a mudança da “hierarquia funcional para modelos organizacionais baseados em rede e centrados em equipes” como importantes ou muito importantes – mas apenas 7% dos entrevistados se sentiram realmente prontos para executar essa.

É importante entender o desafio por trás dessa mudança de cultura. Hoje existem centenas de artigos e treinamentos voltados para as metodologias ágeis e ferramentas integradas a software para otimização do trabalho por equipes, mas uma equipe que tenha um alto desempenho em organizações ainda permanece sendo uma tarefa árdua e desafiadora para a liderança e Recursos Humanos.

Nas primeiras organizações que começaram a implementar essa cultura o resultado inicial era a formação de equipes que concentravam a mitigação de risco na mão de talentos de elite. Essas organizações observaram melhorias acentuadas no engajamento e outras medidas relevantes, mas essa melhoria era de natureza temporária e difícil distinguir entre o que indivíduos extraordinários estavam entregando versus as redes de design de equipes.

Com o tempo, ficou claro que gerenciar pessoas e trabalhar em uma rede não é apenas uma questão de criar locais de trabalho ágeis. Isso também significa mudar a maneira como as organizações elaboram e controlam orçamentos, treinam pessoas e recompensam seus colaboradores. De forma geral, significa cultivar maior colaboração nos níveis de liderança sênior, inclusive entre os executivos, o que significa mudar radicalmente os modelos de carreira para facilitar a mobilidade dos colaboradores dentro da organização, colocando as pessoas certas nas equipes certas, no momento certo – não importa onde elas estejam.

Para enfrentar esses desafios, as organizações precisam incorporar o pensamento em equipe internamente e, para isso, há cinco camadas nas quais o pensamento baseado em equipe deve ser incorporado:

  • O ecossistema
    Defina equipes orientadas a propósitos no contexto das missões que eles servem dentro da organização e externamente em relação a clientes, parceiros e sociedade em geral.

 

  • A organização
    Projete redes de equipes “lideradas para o progresso” que potencializem a colaboração multidisciplinar e a tomada de decisões com poder.

 

  • O time
    Crie equipes que demonstrem novas formas de trabalho ágeis e colaborativas.

 

  • O líder
    Selecione e desenvolva líderes de equipe que tenham uma mentalidade de crescimento que crie condições para que as equipes sejam interativas, abertas, inclusivas e eficazes.

 

  • O indivíduo
    Desafie as intervenções convencionais de gerenciamento de talentos, do gerenciamento de sucessão e desempenho às recompensas e aprendizado, para permitir que os indivíduos mudem seu foco de “subir a escada” para crescer com as experiências, mesmo que horizontalmente.

Por onde se deve começar?
Conforme mencionado anteriormente, é importante que todos os níveis hierárquicos da empresa estejam dispostos a abrir a cabeça e entender o funcionamento do trabalho em equipe. Para isso, é preciso motivá-los e criar estratégias para engajá-los na mudança. Normalmente quando os gestores (CEOs até supervisores) aceitam e seguem as orientações, o restante da cadeia segue o efeito dominó. Esse momento é importante usar do poder da hierarquia justamente para promover a mudança nessa cultura.

Uma organização baseada em equipe também paga às pessoas com base em sua influência e impacto, não apenas em seu nível de cargo, o que também aparece como um dificultador para algumas empresas. Como remunerar os diversos membros de uma equipe que tem funções igualmente importantes? Uma maneira de recompensar e pagar as pessoas por seu desempenho nas equipes, é reconfigurar o gerenciamento de desempenho em torno dos objetivos baseados em equipe.

Reveja suas equipes
Práticas como a análise de rede organizacional (ONA) para examinar o comportamento e a eficácia da equipe estão começando a se estabelecer como alternativa para gerenciamento de equipes. Os dados da rede podem ser facilmente coletados através de breves pesquisas, pois de nada adianta implementar equipes se elas não são acompanhadas.

Muitos fornecedores também estão começando a incorporar algoritmos de rede nos sistemas de e-mail, dando às organizações a capacidade de usar o “escape digital” das pessoas para entender como suas redes operam e onde a hierarquia pode estar ajudando ou dificultando sua capacidade de realizar o trabalho.

Ao abraçar os avanços tecnológicos para avaliar a maneira orgânica pela qual as pessoas interagem e operam, as empresas podem não apenas melhorar seu desempenho, movendo-se para um ambiente mais baseado em equipe, mas simultaneamente capacitar sua força de trabalho, liberando todo o seu potencial humano.

Tendência Global
A tendência global em direção a organizações baseadas em equipes está crescendo por um motivo: é um modelo mais eficaz para operar no ambiente de negócios dinâmico e imprevisível, normalmente visto hoje. A busca por uma cultura de colaboração e o alinhamento de incentivos com o desempenho da equipe podem permitir que as organizações deem o primeiro passo, desenvolvam força e confiança adaptativas e iniciem sua jornada para se tornar uma verdadeira cultura baseada em equipe.