Dentre as políticas e práticas de recursos humanos que mais dividem opiniões, o home office se destaca como um assunto polêmico. Embora diversas pesquisas mostrem a importância do trabalho em casa, tanto na atração quanto na retenção de talentos, muitas empresas estão tomando o caminho inverso e convocando os funcionários de volta para os escritórios.

Um dos casos que mais chamou a atenção da comunidade de RH foi o do Yahoo!. Em 2013, a presidente da companhia, Marissa Meyer, baniu o home office, alterando a rotina de 11.500 colaboradores.

Na época, a líder da área de gestão de pessoas justificou a decisão, afirmando que “velocidade e qualidade são muitas vezes sacrificadas quando se trabalha de casa”. Em outras palavras, ela quis dizer que, para o Yahoo!, o home office pode ser um vilão da produtividade.

Na contramão, trabalhar em casa é uma prática que gera ganhos em muitas empresas, seja no Brasil, de forma um pouco mais tímida, e no mundo. Na Philips, por exemplo, todos os colaboradores que atuam em solo brasileiro, incluindo o presidente, devem escolher um dia da semana para produzir de casa. Segundo o RH da companhia, os benefícios do home office vão desde a economia de recursos ao aumento da produtividade.

Esses dois exemplos reacendem o debate acerca do trabalho em casa. Afinal, o home office é vilão ou herói da produtividade? Com base em pesquisas recentes, reunimos os prós e os contras dessa política de RH para guiar os gestores em suas decisões. Confira:

Home office: vilão da produtividade

Não é só a ausência de controle dos funcionários que impede a liberação do home office. Uma pesquisa realizada pela Regus, empresa de espaços empresariais flexíveis, revelou que 43% dos brasileiros admitem que o trabalho fora do escritório cause solidão. Esse sentimento pode gerar falhas de comunicação e integração, influenciando a produtividade de forma bem negativa.

Além do isolamento, muitos entrevistados confessam que, em casa, sentem mais dificuldade para se concentrar e produzir. As distrações familiares são os principais impedimentos para a produtividade via home office, segundo 64% dos brasileiros.

Outras barreiras ao home-office

  • Regulamentação: No Brasil, falta uma legislação que regulamente o trabalho remoto e/ou home office. Por isso, muitas organizações demonstram receio quanto ao tema;
  • Dinheiro: A transição para um modelo de trabalho home office exige investimentos em ergonomia, equipamentos e tecnologia. Isso gera diversos custos à empresa;
  • Conservadorismo: Muitos chefes ainda não sabem gerir suas equipes à distância, e isso pode causar prejuízos no relacionamento e na confiança. Pesquisa da Universidade Stanford, dos Estados Unidos, revelou que a taxa de promoção de funcionários que trabalham em home office é 50% menor do que a de funcionários presentes no escritório.

Home office: herói da produtividade

Mesmo que muitas pessoas demonstrem dificuldade de concentração em casa, outras tantas aparentam render mais no ambiente doméstico. Um estudo do instituto americano Gallup apontou que funcionários em esquema home office (integral ou não) são capazes de produzir 4 horas a mais. Fora isso, eles demonstram engajamento e satisfação em níveis elevados.

No caso da Philips, anteriormente citado, o ganho anual com produtividade cresceu de 4% a 5% com a instauração do trabalho em casa, segundo a liderança.

Entre as empresas brasileiras que liberam o home office, 54% destacam os ganhos com produtividade como o maior benefício dessa prática.  De acordo com a organizadora do estudo, a frase que melhor define o processo de home office, para 71% das companhias adeptas, é “gerenciamento baseado em resultados, ao invés da presença física”.

Outros benefícios do home office:

  • Retenção de talentos: Buscar formas alternativas de trabalhar, além de bons salários e promoções, é um desejo que já faz parte da vida dos brasileiros. Essa constatação foi feita pela consultoria PwC, em parceria com a Fundação Getúlio Vargas;
  • Controle do absenteísmo: O trabalho flexível (incluindo o home office) facilita a vida de quem tem filhos e não deseja faltar e/ou abandonar a carreira, segundo a Regus. Para as empresas, essa pode ser uma boa arma contra o absenteísmo;
  • Solução de mobilidade: Em grandes cidades, o home office surge como uma alternativa para diminuir congestionamentos, amenizar atrasos e favorecer a qualidade de vida de quem sofre com o estresse da vida moderna.

Diante desses números e fatos, resta a pergunta: você, gestor de RH, é contra ou a favor da liberação do home office? Compartilhe sua opinião e experiência com assunto nos comentários abaixo.

  • Eliana Guerra

    Ótimo texto, estou atuando neste modelo há cinco meses, confesso que ainda me adaptando, tem muita coisa boa, mas tem também os obstáculos, vencer a si mesmo em casa é mais difícil, é um trabalho diário, me distraio com maior facilidade e sinto falta da interação com outras pessoas, sou extremamente relacional, e acredito que este ponto seja o mais crítico no meu caso. Em muito momentos me sinto improdutiva.
    Como disse, ainda estou me adaptando…