Quando se pensa em uma empresa, seja pequena ou grande, tem-se o quadro de colaboradores como principal ferramenta para desenvolvimento. A função de cada um deles é essencial para que tudo siga da maneira correta e os resultados sejam apresentados ao longo do processo. O que muitas empresas deixam de lado, muitas vezes, é a singularidade de cada colaborador e passam a se importar mais com números do que com o lado humano por trás de uma equipe. A personalização no RH aparece então como solução para unir o útil ao agradável: entregar resultados cada vez melhores com uma equipe engajada e valorizada.

Muitos colaboradores fazem um longo trajeto para chegarem à empresa e, antes de advertir alguém por alguns minutos de atraso, é importante entender a realidade dessa pessoa. Problemas como dificuldade no trajeto, imprevistos com filhos e outros fatores tendem a deixar a relação entre organização e funcionário um pouco turbulenta. Para se adaptar a essas variáveis e reter aquele profissional competente, a empresa deve se perguntar: ele pode trabalhar em casa por um período? Conseguimos enviar um taxi para buscá-lo ou levá-lo? Ele consegue compensar as horas outro dia? Há outra filial mais perto da sua residência para que possamos transferi-lo? O receio de que outros colaboradores possam exigir os mesmos arranjos é natural, mas cabe à organização analisar cada caso. Diferentes pessoas terão diferentes problemas e antecipá-los é sempre uma vantagem.

Diante dessa proposta, é válido entender a diferença entre personalização e customização, mesmo que os conceitos estejam entrelaçados. Com a personalização, a empresa modifica uma experiência sem qualquer esforço especial do cliente, enquanto na customização o cliente pode adaptar a experiência por conta própria.

Antes de pensar em personalização, é fundamental entender quais são as necessidades básicas e comuns dos seus colaboradores. Anthony Robbins, na sua obra “The Six Human Needs” aponta alguma delas: a certeza, visto à necessidade de segurança, conforto e ordem. A busca por desafios, diversidade e aventura também aparecem como necessidades. Além disso, o sentimento de sentir-se importante e entender que o seu trabalho é essencial para a empresa são igualmente importantes nesse cenário, seguidos pela necessidade de comunicação e conexão com os demais membros da equipe. A necessidade de desenvolvimento emerge como outra peça determinante, assim como o movimento de se preocupar e se preocupar com o bem comum.

Ideias para um RH personalizado

  1. Compensação e benefícios

Quando se trata de benefícios, a personalização não é algo tão novo diante do que é feito atualmente pela maioria das empresas. Entretanto, as diferenças individuais podem ser esquecidas em algum momento e cabe ao RH resgatá-las para que a empresa esteja engajada e modificada. Cabe, então, à reflexão acerca dos benefícios ofertados: conseguimos atingir todo o público com o que oferecemos? Todos estão satisfeitos? Podemos incluir mais algum? É possível adaptá-los diante cargos e pessoas? Uma lista proposta por Karry Jones em “The most desirable employee benefits” nos dá uma base dos principais benefícios desejados pelos empregados e suas flexibilizações. Tome como base e cruze os dados com os que dizem respeito à sua empresa para identificar os pontos de intervenção.

Kerry Jones: The most desirable employee benefits. HBR, February 2017.

  1. Comunicação Interna

Transmitir ao colaborador o que acontece na empresa alimenta a sensação de pertencimento à organização e, consequentemente, o colaborador vê mais significado no seu trabalho. A comunicação interna é extremamente importante, uma vez que é o canal pelo qual o colaborador vê o reflexo do seu trabalho. Torna-se fundamental, então, estudar qual ou quais são os canais assertivos para atingir todos os colaboradores.

Para fazer essa análise, basta-se o questionamento: qual é o nosso público alvo? Se uma empresa tem sua equipe composta por funcionários de diversas faixas etárias, cabe a personalização no momento da divulgação de comunicados. Todos os funcionários têm acesso à computador? Todos têm smartphones ou é necessário o envio de SMS? O Facebook é o canal mais direto ou seria o Instagram? Cada empresa tem um perfil e é importante desenhá-lo para que a comunicação funcione da melhor maneira. É importante, também, criar um canal para feedbacks, sugestões e dúvidas. Dessa forma, a relação entre empresa e colaborador fica cada vez mais transparente e consolidada.

  1. Desenvolvimento

Os programas de desenvolvimento organizacional tendem a ser padronizados na maioria das empresas, consistindo em estágios e trainees, por exemplo. Além disso, em algumas organizações encontram-se programas específicos para os cargos estratégicos e gerenciais, pautados em treinamentos esporádicos. As necessidades de aprendizagem e desenvolvimento dos colaboradores são diferentes, assim como o tempo e estilo. A tecnologia aparece nesse cenário como aliado na promoção de um aprendizado personalizado e mais eficaz.

Ao pensar no funcionário enquanto indivíduo, é importante criar diversas oportunidades de aprendizado. Seria interessante um treinamento ministrado por uma área para outra? Existe algum conhecimento padrão que seria interessante que todos soubessem? Podemos contratar uma intérprete de libras para atingirmos os colaboradores com alguma deficiência? É possível liberar alguns treinamentos online mensais para capacitas os funcionários? São questionamentos como esse que ajudam na estruturação de várias soluções de micro aprendizagem.

  1. Gestão e liderança

Enquanto gestor, é essencial entender que cada membro da sua equipe tem um perfil e a flexibilidade da gestão se torna essencial para que seja possível motivar todos e incentivá-los à entrega de resultados cada vez mais assertivos. Para algumas pessoas, o gestor tem que ser uma pessoa mais firme, enquanto para outros, tem que se dar mais autonomia para que ele consiga fluir. Uma possível maneira de identificar qual seria a melhor forma de gerir é a prática do feedback semanal, uma vez que se torna possível discutir o progresso do funcionário e identificar os pontos de intervenção.

  1. Layout do escritório

Você já parou para pensar que o seu funcionário não está produzindo porque está em péssimas condições de trabalho? Um colaborador não consegue se concentrar na alimentação da planilha que terá que apresentar para seu gestor porque o colega ao lado fala muito alto nas ligações com os clientes, enquanto o sol bate na mesa de outro funcionário e o impede de ficar muito tempo sentado em frente ao computador.

Novamente tem-se a tecnologia como aliada para elaboração de um layout favorável para todos. É importante que o funcionário escolha e esteja satisfeito com o seu posto de trabalho e a organização pode ser simulada em diversos softwares online. Caso prefira uma abordagem mais direta, pergunte à sua equipe qual seria a melhor organização e a siga, diante do possível. O design moderno de escritório leva em consideração os requisitos de elementos do trabalho específicos e preferências individuais dos funcionários.

  1. Integração

Quando um funcionário é contratado, as expectativas dele são as mais altas e nos primeiros dias ele tende a se perder diante tanta informação nova. O Programa de Integração é uma solução para ambientar o novo colaborador e apresentar a ele os principais pontos básicos da organização. Esse programa pode contemplar os conceitos básicos de Recursos Humanos (benefícios, gestão de ponto, compensações), medicina do trabalho (atestados), visão e valores, história da empresa, saúde e segurança, qualidade e outros pontos entendidos como principais e comuns a todas as áreas. Cabe também ao RH entender se, além disso, é fundamental uma integração específica de cada área.

  1. Experiência

A gestão de talentos também sofre com a personalização, visto que muitos dos planos de carreira e mentoring são projetados para o grupo, não para os indivíduos. Levar os desejos e capacidades dos indivíduos em consideração, tomando-os como partida para elaboração de estratégia de desenvolvimento são ações que visam um futuro promissor, tanto desse colaborador, quanto da empresa.

São diversas as formas de personalizar a sua empresa e, graças às constantes mudanças da modernização, personalizar é a tendência do futuro. Horas flexíveis, home office, trabalho flexível, mudanças pontuais nas atividades, implementação de rotinas variáveis, adaptação na relação gestor-empregado e o próprio local de trabalho são algumas das áreas para intervenção mais comuns e demandadas pelos membros de uma organização. É importante pensar que cada pessoa que trabalha na empresa é um indivíduo único e cabe à organização tentar se adaptar às necessidades dele, em parceria com os objetivos traçados pelo mercado.