Storytelling é um termo que pode ser definido de várias maneiras. Trata-se de uma expressão em inglês que está relacionada à ação de contar histórias. Na prática, é uma forma de transmitir uma mensagem de maneira envolvente.

Contar histórias é uma prática antiga para o homem, que desde os tempos das cavernas já a utilizava, antes mesmo de aprender a escrever. A humanidade conta histórias desde o começo da civilização para passar suas mensagens uns aos outros, porém, o Storytelling é um conceito novo e de aplicabilidade recente no mundo corporativo. Uma grande tendência que vem ganhando espaço e importância nas últimas décadas.

O Storytelling é constituído pela junção de dois elementos. Um deles inclui informações, dados concretos e reais, que normalmente por si só não conquistam os interlocutores e outro é abstrato e criativo, no qual entra a imaginação e a emoção, consequentemente estimulando um maior envolvimento por parte dos ouvintes e ampliando seu senso de pertencimento. Assim, é uma técnica que permite compartilhar conteúdos estratégicos, de forma mais leve, interativa e humanizada.

Inicialmente, o Storytelling era aplicado somente na área de Marketing, como uma técnica de comunicação para torná-la mais próxima do público, mas atualmente tem alcançado sua relevância nos demais departamentos das empresas, como o RH, podendo ser utilizada de diversas maneiras e em diferentes situações. É uma técnica simples que não depende de conhecimentos complexos e pode trazer bons resultados, desde que se faça a utilização adequada e estratégica.

Mas como esta técnica é aplicada?

A história propriamente dita é elaborada através da organização dos fatos reais a serem transmitidos, numa sequencia lógica e então se cria uma história para esta estrutura, um enredo, incluindo um ou mais personagens que irão interagir com estes dados, narrá-los, permeá-los, enfim, aqui entra a parte criativa do Storyteller, que é o contador de histórias. Sua principal função é atribuir relevância e significados emocionais aos elementos originais, por meio de um contexto, que deve conter uma narrativa de qualidade para cativar os ouvintes.

Há que se criar um enredo atrativo e próximo para que os interlocutores se envolvam e se reconheçam, criando uma verdadeira conexão através da qual estes ouçam, interpretem, armazenem e até compartilhem o que lhe foi transmitido.

A história, porém, deve estar inserida num contexto, para atender uma demanda, dentro da estratégia corporativa.

Todas as áreas das organizações podem se beneficiar com o Storytelling, o que certamente inclui o RH. Algumas possibilidades de aplicação desta técnica são as ações de endomarketing, comunicação interna em geral, comunicação externa, modelagem de cultura organizacional, integração aos novos colaboradores, treinamentos diversos, desenvolvimento de competências, motivação e engajamento de lideres e suas equipes e outras ações ou programas na gestão de pessoas. O Storytelling não substitui em si as demais técnicas de RH, mas vem agregar valor, associada a outras estratégias de treinamento, capacitação e motivação.

No mundo atual, carregado de informações, numa constante batalha pela atenção, o Storytelling chega para sobressair-se. É notório que o ser humano tem maior facilidade para se recordar de uma história contada e se identificar com ela, conectar-se com seu conteúdo, mobilizando-se naquele sentido, do que com estatísticas, dados e gráficos apresentados friamente numa reunião, por exemplo.

As empresas que já descobriram o efeito do Storytelling estão utilizando este recurso e comemorando seus impactos, inclusive no âmbito financeiro, afinal, quando aplicado estrategicamente pode trazer resultados positivos na performance das equipes.

Assim, o Storytelling torna-se também uma habilidade importante para a função do líder. Segundo o site da Revista Exame (Nov.2016) “Algumas empresas institucionalizaram o Storytelling como prática gerencial, fazendo seu uso para agregar valor em diversas atividades como comunicação corporativa, propaganda e gestão de pessoas”.

Este é um ótimo recurso para criar maior conexão entre os líderes e suas equipes. A conscientização sobre o uso desta prática junto aos gestores e a capacitação destes nessa habilidade são pontos importantes para seu sucesso.

Além disso, é necessário definir uma boa estratégia alinhada às diretrizes organizacionais e realidade do negócio, bem como observar as características do seu público-alvo para escolher a metodologia apropriada com contextos e enredos adequados a cada perfil. O ambiente também requer atenção, pois precisa ser agradável, porém sério, evitando situações de escárnio e desmérito.

É necessário aplicar o Storytelling com sobriedade e cientes de que ele não pretende ser a solução para todos os problemas da empresa e sim mais um instrumento na busca pelos melhores resultados, no ambiente empresarial que pode e deve levar momentos de leveza aos colaboradores, acompanhado de conteúdo e estratégia.

A aplicação do Storytelling pelo RH tem o poder de engajar as pessoas para o propósito da empresa e alcance de seus objetivos. Assim, cabe a cada profissional de RH, cada gestor e dirigente, buscar a melhor forma, na qual sua empresa possa se beneficiar com esta metodologia que conta e encanta.

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