Ao longo do tempo, os pesquisadores têm utilizado a nomeação e diferenciação de gerações para classificar cada período histórico de acordo com as diferentes experiências de formação, principais eventos, mudanças sociais e econômicas, inovações tecnológicas e, a partir disso, compreender como esses aspectos interagem com o ciclo de vida e o processo de desenvolvimento das pessoas formando seu comportamento, sua maneira de agir e sua visão de mundo.

Embora não haja uma definição única para os períodos de tempo que compreendem cada geração (há pequenas diferenças entre institutos e pesquisadores), podemos apontar como recortes da população por gerações, as seguintes classificações: Baby Boomers, que compreendem as pessoas nascidas entre 1945 e 1964; Geração X, os nascidos entre 1965 e 1981; Millenials ou geração Y, os nascidos entre 1982 e 2000; geração Z ou atual, as pessoas nascidas depois do ano 2000.

A classificação por gerações auxilia os pesquisadores a entender as mudanças ocorridas na sociedade ao longo do tempo, contudo, mais recentemente, tem sido questionado se a idade é mesmo um fator tão determinante dos traços de personalidade e comportamento das pessoas, pois, as pessoas podem se identificar mais com aspectos de uma geração vizinha do que daquela que elas fazem parte, sendo as gerações diversas e complexas.
Em contraponto a categorização de gerações por idade e características relacionadas ao seu tempo, em 2016, Gina Pell, cunhou o termo Perennials, que podemos traduzir como perenes. O termo, ainda pouco falado no Brasil, foi citado pela primeira vez na revista FastCompany e já se popularizou em outros países.

Perennial é o indivíduo que tem um estilo de vida que congrega gostos e hábitos de diversas faixas etárias, sendo a constituição de sua personalidade mais fundamentada numa identidade social, do que em aspectos cronológicos. A geração Perennials, é composta por indivíduos de qualquer idade, atualizados tecnologicamente, que circulam nos mais diversos ambientes e tem amigos de qualquer idade.

Essa geração tem um estilo de vida que podemos chamar de atemporal, o que se reflete em seus hábitos, objetivos de vida e de carreira e na sua aparência física. Assim, como os oriundos da geração Y, os Perennials, querem trabalhar com um propósito e não tem medo de arriscar, não se acomodando em relacionamentos ou em empregos que não os trazem satisfação.

Outra característica da geração Perennials é que eles não se moldam às expectativas de idade e não se identificam com regras e costumes engessados e nem seguem roteiros pré-estabelecidos. Tem grande vontade de viver, de ousar, desenvolver novas habilidades e se reinventar.

Essas características da geração Perennials tem grande relação com o aumento da expectativa de vida, da escolaridade, da melhora nas condições de vida e de saúde. As pessoas estão vivendo cada vez mais, se cuidam e permanecem muito mais tempo produtivas e bem-sucedidas no trabalho. Nesse novo contexto, as fronteiras entre gerações se perdem e as etapas de vida tornam-se mais fluidas.

É comum encontrar na geração Perennials pessoas que já passaram por diversos casamentos, que mudaram seu estilo de vida ou de profissão uma ou diversas vezes. Enfrentar desafios, encarando a vida como um contínuo aprendizado e se reinventar em qualquer idade, tem sido o lema dessa geração.

Essa geração “sem idade” tem hábitos de consumo, jeito de falar e forma de se relacionar menos pré-estabelecidas. São mais abertos a novidades, estão sempre abertos a mudar suas carreiras, suas ideias e conceitos. Interessam-se mais por tecnologia, games, livros e cinema do que a maioria da população e escolhem o que consumir por identificação com a marca, comportamento e estilo de vida e não mais por critérios de idade.

Conhecer esse novo perfil geracional é extremamente importante para a análise do comportamento social e de consumo e, apesar de ainda haver certa resistência e valores ainda muito cristalizados na sociedade, essa nova forma de se situar no mundo chegou para ficar.