Nunca as universidades corporativas foram tão pertinentes como na atualidade. Após a grande aceleração tecnológica que vivenciamos na última década, a chamada “era da informação” aos poucos dá lugar a um novo paradigma muito mais complexo: a “era do conhecimento”. As empresas, que mal se acostumaram ao fluxo constante de informações e precisaram se adaptar para aliar ferramentas e métodos assertivos que a tornassem mais adaptadas e diferenciadas no mercado, agora devem se preocupar em gerar novos conhecimentos no cerne da organização para serem referência. E as universidades corporativas podem ser uma ferramenta de gestão muito poderosa neste sentido.

Lidar com o desenvolvimento e propagação de novos conhecimentos não é algo tão simples – ainda mais em um país em que a formação básica dos profissionais e o desenvolvimento de habilidades e competência ao longo da carreira é algo que ainda deixa a desejar, conforme os especialistas.

 

Conhecimento e cultura organizacional

Logo, além de capacitação e formação contínua, é preciso que na cultura organizacional estejam inseridos critérios que permitam a aprendizagem contínua entre profissionais e equipes, um espaço de aprendizagem humanizada e de formação de lideranças em amplo aspecto, além de um espírito de inovação compartilhado e aceito, que permita uma cultura de alta performance bastante adaptada e a geração de novas ideias, de novos conhecimentos que sejam diferenciais de mercado e que façam a empresa ir além.

A isso damos o nome de breakthrough, um salto quântico em prol da inovação, que integra performance e desenvolvimento, em que competências sejam desenvolvidas para a geração de novos conhecimentos. Este é um novo modelo de negócio que vem se firmando em todo o mundo e que está incondicionalmente atrelado à essência da empresa.

 

Universidade corporativa na Era do Conhecimento

Se as universidades surgiram nos Estados Unidos com o propósito de ensinar os profissionais a fazerem um trabalho mais padronizado, ainda nas décadas de 50, 60 e 70, no Brasil elas se tornaram populares apenas a partir da década de 90 a fim de integrar treinamentos. Com os avanços tecnológicos recentes, o seu propósito é outro: mais que meramente qualificar, elas permitem propagar um novo jeito de pensar, de desenvolver e sustentar os diferenciais competitivos da empresa, em encontrar oportunidades e expandir o processo produtivo, em desenvolver indivíduos capazes de gerar novos conhecimentos.

 

Universidade corporativa em 10 passos

Uma universidade corporativa é um importante instrumento de gestão e integra diferentes áreas do conhecimento e setores de uma empresa. O RH tem um papel fomentador e realizador quanto à universidade corporativa. A sua criação passa por várias fases de desenvolvimento e implantação, uma vez que a universidade corporativa não visa apenas fortalecer a capacidade de aprendizagem de seu pessoal, mas sim dar condições para a manutenção e expansão de equipes de alta performance.

 

1) Integração com a cultura organizacional

É preciso realizar um diagnóstico organizacional para saber o que já existe em termos de desenvolvimento e propagação de conhecimentos na empresa e qual será o ponto de partida e a pertinência de uma universidade corporativa. É preciso que haja uma abertura por parte da cultura organizacional que esteja disponível para a criação de um projeto deste tipo, que dialogue diretamente com os propósitos da empresa, com seus valores, com o seu direcionamento de mercado e com a sua visão de negócio. É importante que a universidade corporativa integre diferentes equipes e profissionais e que o desenvolvimento de novos conhecimentos seja uma premissa a todos os seus usuários, em sua rotina de trabalho.

 

2) Controladoria e corpo diretivo

Como qualquer projeto, é preciso que haja um corpo diretivo à frente da universidade corporativa ou pelo menos uma controladoria no início da universidade corporativa. Este corpo diretivo deve ser integrado por membros gestores, profissionais estratégicos e profissionais do RH. Posteriormente, a universidade corporativa deve ainda contar com pessoas dedicadas e especializadas aos seus propósitos. A partir daí, será mais fácil estabelecer as necessidades de aprendizagem e o alinhamento estratégico entre os usuários.

 

3) Defina uma visão e forme as suas estratégias

A visão da universidade corporativa está intimamente ligada à visão da empresa, aos seus valores e estratégias de mercado, mas pode ainda ter uma visão específica de futuro quanto às suas metas e atividades desenvolvidas. É o ponto de partida para criar estratégias assertivas. Ter uma visão clara permite propagar e acelerar as atividades da universidade corporativa e a demanda de aprendizagem da organização.

 

4) Defina o escopo do seu projeto e as suas estratégias

Uma vez definida a visão, a forma como será integrada à universidade corporativa e seus dirigentes, é hora de criar o escopo do projeto. Todas as ações – treinamentos, cursos, encontros, decisões estratégicas, etc. – devem estar no mesmo “guarda-chuva” ou podem se apresentar de outras formas? E os recursos devem estar centralizados ou podem ser divididos? Estas são questão muito pertinentes nesta fase.

 

5) Defina a equipe e os recursos do seu projeto de universidade corporativa

Nesta fase, é preciso definir quem serão os membros da equipe dedicada à universidade corporativa. Além do RH, outras éreas devem ser envolvidas, como TI, jurídico, marketing, etc. Além disso, em termos de recursos, deve-se ter em mente quais as tecnologias e ferramentas necessárias para a composição do layout técnico da universidade corporativa – recursos físicos, tecnológicos, humanos, etc.

 

6) Quem será o público-alvo?

O público-alvo da universidade corporativa diz muito sobre as necessidades e ações que devem ser implementadas. Em uma empresa, há diferentes públicos, e cada um possui as suas próprias demandas. Faça este levantamento.

 

7) Crie uma rede de parceiros estratégicos

Os parceiros estratégicos são essenciais para fazer a universidade corporativa acontecer. São fornecedores, consultores, profissionais da própria empresa, lideranças, escolas e outros tipos de profissionais e organizações que possam enriquecer a experiência do usuário na universidade corporativa.

 

8) Alie recursos tecnológicos

Já falamos dos recursos tecnológicos como essenciais para a implementação da universidade corporativa. Além de metodologias e abordagens, podem ser utilizados softwares específicos, intranet, aplicativos, rotinas interativas de comunicação e desenvolvimento, diferentes tipos de treinamentos, etc. Há uma infinidade de ferramentas no mercado que possam atender as necessidades de sua universidade corporativa. O indicado é utilizar um mix de recursos tecnológicos.

 

9) Crie uma estrutura de comunicação integrada à rotina do profissional

É importante que os usuários tenham acesso frequente às informações referentes à universidade corporativa e que possam também contribuir para a geração de novos conhecimentos úteis. Desta forma, é fundamental criar modelos comunicativos e interativos funcionais e integrados ao dia a dia do profissional.

 

10) Defina estratégias de mensuração

Assim como em qualquer projeto, é preciso criar estratégias de mensuração de resultados, critérios e métricas para os resultados dos conhecimentos aplicados no cotidiano das pessoas que utilizam a universidade corporativa e resultados quanto à geração de novos conhecimentos que possam se converter em diferenciais estratégicos. Estas informações serão essenciais para a tomada de decisão dos gestores.