As empresas estão inseridas em um ambiente competitivo onde a demanda por produtividade é cada vez maior. Cada pessoa tem a sua rotina de trabalho e tarefas que surgem de última hora para serem realizadas com urgência.

Isso é normal e acontece na rotina de qualquer um, entretanto as pessoas têm maneiras diferentes de lidar com as situações de estresse. Enquanto umas, sob nível de estresse, conseguem estabelecer prioridades, resolver as tarefas e voltar ao “normal” mais facilmente, outras, até resolvem as tarefas, mas continuam sob impacto do estresse e não conseguem sair dele sem sentirem-se afetadas.

O contexto relatado diz respeito ao significado de resiliência: a quantidade de estresse que alguém pode suportar sem que isso afete a sua integridade e capacidade de continuar perseguindo os próprios objetivos que dão sentido à vida.

Em outras palavras, resiliência é a capacidade de ser flexível nas adversidades ou simplesmente saber manejar o estresse.

A resiliência nas empresas

O mundo corporativo é dinâmico, ocorrem mudanças a todo momento, exigindo respostas rápidas, eficientes e pessoas flexíveis. Sendo assim, a resiliência se destaca como uma competência essencial para as pessoas nas organizações.

Não há como afirmar se alguém é resiliente ou não. As pessoas têm estados e níveis de resiliência. Elas podem apresentar essa competência em algumas áreas da vida e se mostrarem totalmente imaturas e inábeis em outras.

Todavia, as que têm um nível de resiliência considerado bom, são capazes de elaborar estratégias e se posicionar na vida de maneira premeditada, assumindo riscos de forma responsável e assegurando, dessa maneira, a sua sobrevivência.

A área de Recursos Humanos da empresa pode ajudar a elaborar formas de despertar o comportamento resiliente nos colaboradores, a fim de evitar a chamada síndrome de burnout, isso porque algumas pessoas quando colocadas em situações de muito estresse podem não conseguir suportar a pressão.

Os gestores devem perceber qual é o nível de resiliência dos profissionais da equipe para só então aumentar gradativamente a carga de cobranças.

Essa noção é subjetiva, tendo o próprio gestor que fazer testes práticos, tais como: pedir para o profissional elaborar um relatório de um dia para o outro, atender clientes que exigem maior empenho e insistência, fazer uma crítica e observar como o profissional irá lidar com ela.

A arte de dar a volta por cima

A maneira como alguém se comporta diante das situações tem muito a ver com os modelos mentais que possui – um sistema de crenças adquirido e estruturado desde tenra idade. Aqui, quando se fala de crença não se refere a padrões religiosos ou culturais, mas a situações vivenciadas e frases ouvidas que ficaram internalizadas.

Existem crenças limitantes que se não identificadas e ressignificadas, atrapalham o desempenho da pessoa, tais como: “não sou bom o suficiente”, “não mereço sucesso ou coisas boas”, “tudo precisa ser perfeito”, entre outras.

A maturidade é o recurso que a pessoa resiliente tem para sobreviver. Se caracteriza por ela não ser apegada demasiadamente às crenças. Além disso, o que impulsiona uma pessoa resiliente a sair de um dito “problema” é a capacidade que ela tem de transpor as barreiras acreditando em um futuro de superação – fruto de uma maturidade adquirida com a experiência nas lutas.

Para George S. Barbosa, PhD em Coaching e Resiliência, são oito os fatores que compõem a resiliência. Ele os chama de Modelos de Crenças Determinantes (MDCs) – que diferentemente das crenças limitantes – têm a capacidade de elevar a performance de uma pessoa em relação à superação dos obstáculos.

As crenças determinantes são:

  1. Autocontrole: habilidade de dominar a si mesmo, o modo como consegue administrar as próprias emoções perante situações inesperadas. É o amadurecimento no comportamento em relação ao que será lido pelas outras pessoas.

 

  1. Leitura Corporal: habilidade de perceber, conter e/ou redirecionar os impulsos do sistema nervoso/muscular. É o amadurecimento na maneira de lidar com as reações somáticas em situações de estresse.

 

  1. Otimismo para com a vida: habilidade de não perder a esperança e enxergar a vida com alegria e sonhos. É o amadurecimento em relação ao destino de vida, mesmo sabendo que a decisão não depende só de você.

 

  1. Análise do ambiente: habilidade para perceber as causas, as implicações e relações dos problemas e adversidades que se encontram no ambiente.

 

  1. Empatia: habilidade de colocar-se no lugar dos outros compreendendo suas necessidades e emitindo mensagens para promover a aproximação e interação com eles.

 

  1. Autoconfiança: habilidade para confiar em si mesmo. Ter convicção de sua eficácia diante daquilo que faz.

 

  1. Alcançar e manter pessoas: habilidade para vincular-se com outras pessoas sem medo de fracasso, sabendo conectar-se, formando e mantendo uma forte rede de proteção e apoio.

 

  1. Sentido de vida: habilidade para encontrar e compreender o propósito vital da própria vida. Ao promover o valor da vida, tudo passa a ter mais sentido e isso capacita a pessoa a preservá-la.

A resiliência se mostra como capacidade de superação, uma habilidade de sobreviventes que dominam a arte de dar a volta por cima. Essa é uma competência essencial para as pessoas porque as mantém em busca de seus objetivos sem se abalarem por qualquer coisa. Lembrando que existem níveis de resiliência, sendo esta desenvolvida conforme ocorrem as “batalhas” diárias. Ninguém é resiliente o tempo todo!