Para uma empresa ser competitiva e se destacar no mercado, ela precisa fundamentalmente de dois elementos principais: talentos e um ambiente interno que seja favorável à plena expansão destes talentos. Quando falamos de um ambiente favorável, significa ter um estilo de gestão de pessoas que foque no desenvolvimento e no empoderamento dos colaboradores, uma cultura corporativa que seja participativa e inspire confiança, uma arquitetura organizacional que facilite a comunicação e a integração entre as pessoas.

E quando falamos de talentos, o que queremos dizer? Nas empresas, o grande desafio da gestão de pessoas é atrair e manter talentos. Afinal, eles são seu patrimônio mais importante. Ter pessoas significa ter talentos? Não necessariamente. Veja a seguir os conceitos relacionados a talento.

A palavra é derivada de talentum, termo em latim que significa “matéria preciosa”. E talento é exatamente isso, o que as pessoas têm de mais precioso. Talento é aptidão. Ele pode ser inato – ou seja, uma capacidade com a qual a pessoa já nasceu – ou adquirido, quando a pessoa o desenvolve ao longo da vida, através de diferentes mecanismos de aprendizagem. Quando falamos, no mundo corporativo, de desenvolvimento de competências, estamos falando necessariamente do desenvolvimento de talentos.

Todas as pessoas possuem talento. Porém, para efeitos de Gestão de Pessoas em uma empresa, um profissional será um talento quando apresentar um diferencial competitivo que agregue ao negócio. Para isso, ele precisa estar alinhado com a cultura e os valores da empresa e superar os desafios diários, apresentando alta performance.

De acordo com Idalberto Chiavenato, o talento envolve quatro aspectos essenciais:

  1. Conhecimento ou saber

Corresponde aos diferentes tipos de conhecimentos adquiridos através de métodos formais ou informais de aprendizagem. O conhecimento é o grande ativo da época em que vivemos. É também a base para o desenvolvimento de competências. Aprender continuamente torna-se fundamental em uma sociedade onde as informações atualizam-se em alta velocidade e de forma contínua.

  1. Habilidade ou saber fazer

A habilidade pode ser reconhecida quando a pessoa passa a aplicar seus conhecimentos em situações do dia-a-dia, seja para resolver problemas ou criar. O conhecimento nada significa se não for colocado em prática, por exemplo: um profissional pode conhecer a teoria da comunicação, mas para ter habilidade em comunicação ele precisa comunicar-se bem em seu dia-a-dia, com diferentes tipos de pessoas.

Para a Gestão de Pessoas, a habilidade pode ser compreendida como um comportamento observável, sendo passível, inclusive, de avaliação. Normalmente é o foco de processos de avaliação e desenvolvimento de competências.

  1. Julgamento ou saber analisar

Com as máquinas substituindo o trabalho mecânico, os profissionais estão cada vez mais envolvidos em atividades autônomas que requerem raciocínio e capacidade de análise. Julgamento é a capacidade de obter dados e informações e inter-relacioná-los, com ponderação e equilíbrio, mapeando prioridades.

A tendência em Gestão de Pessoas é que os profissionais ganhem cada vez mais liberdade de ação. Saber analisar é uma capacidade fundamental que irá apoiar as pessoas nas decisões que lhe couberem, dentro do escopo de sua função.

  1. Atitude ou fazer acontecer

Além de a pessoa ter conhecimentos, habilidades e sabe analisar, é preciso também uma atitude mobilizadora, que a possibilite alcançar, e até mesmo superar, os resultados esperados. Para que o talento alcance seu potencial, é preciso buscar a excelência, tentar se superar, assumir riscos, estabelecer parcerias, ou seja, fazer acontecer.

Para o desenvolvimento de competências e, consequentemente, dos talentos de uma empresa, acrescentamos um quinto elemento à definição de Chiavenato: os valores pessoais. Eles se constituem em conceitos ou pensamentos que uma pessoa possui sobre o que é certo ou errado, sobre o que é bom ou ruim, sobre o que ela valoriza ou não.

Esses pensamentos são construídos socialmente, através da família e das diversas relações que a pessoa estabelece no meio em que vive. Eles são muito variáveis, de acordo com cada grupo social ou indivíduo, e determinam como a pessoa se comporta e interage com o ambiente.

Apesar da maioria das empresas buscarem e desenvolverem talentos com foco nos quatro elementos citados é fundamental o entendimento dos valores dos profissionais, pois são eles quem irão conduzi-lo dentro da empresa. Usando uma analogia já bem conhecida, os valores são a “base do iceberg”.

A área de Gestão de Pessoas, juntamente com as lideranças da empresa, deve buscar atrair os profissionais que possam contribuir efetivamente com o negócio, assim como preocupar-se em desenvolvê-los continuamente a fim de que mantenham sua capacidade de inovar e de alcançar excelentes resultados.