Uma das maiores causas das faltas ao trabalho são as doenças. Elas vão desde um simples resfriado até problemas graves de coluna. O que contribui para esse impacto na saúde do trabalhador são, além dos fatores externos, os fatores emocionais.

Para Viviane Forte, coordenadora-geral de Fiscalização e Projetos do Ministério do Trabalho, as pessoas passam a maior parte do dia trabalhando. Se elas não tiverem o cuidado na maneira como se sentam e realizam suas atividades, ou se não efetuarem pausas necessárias ao longo da jornada de trabalho, irão adoecer, independente de como e onde possa ter surgido a dor.

A situação piora quando somada aos fatores de estresse como a cobrança excessiva, competição exagerada, clima de inimizade, ambiente com pessoas robotizadas e chefe tóxico. Porém, isso pode ser amenizado com a implantação dos programas de qualidade de vida no trabalho.

O que é um programa de qualidade de vida no trabalho?

A qualidade de vida no trabalho, ou simplesmente QVT, tem por objetivo a satisfação dos colaboradores, o bem-estar e a promoção da saúde no ambiente corporativo. É um conjunto de técnicas e ações para promover melhores condições no trabalho buscando aumentar resultados.

A falta de qualidade de vida nas empresas tem como origem muitos fatores, tais como: conflitos, poucas perspectivas de progresso, esgotamento físico e mental, falta de autonomia, pressões e fatores ambientais inadequados e insalubres.

Um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT) tem como propósito criar uma organização mais humanizada. No entanto, para implantá-lo é importante averiguar o impacto positivo ou negativo de fatores que influenciam no processo, como: cultura e clima participativos, canais abertos de comunicação interna, políticas de gestão de pessoas, infraestrutura ambiental, de maquinários e equipamentos adequados.

Fases do programa de qualidade de vida no trabalho

Um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT) pode ser desenvolvido considerando algumas fases:

  1. Sensibilização: é a fase em que se opta por implementar um programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). É importante que a alta administração esteja ciente e comprometida com a proposta, assim como os gestores e equipe do projeto.
  2. Planejamento: é a fase em que são tomadas as primeiras ações em relação ao projeto, formação da equipe responsável, modelo e instrumentos a serem utilizados e cronograma inicial.
  3. Diagnóstico: é a fase de coleta de informações sobre o funcionamento do sistema de gestão de pessoas da empresa e também a realização de uma pesquisa-diagnóstica sobre a qualidade de vida no trabalho no ambiente de trabalho com os trabalhadores.
  4. Execução e implementação do plano de ação: após a coleta, tratamento e interpretação dos dados, é chegada a fase de estabelecer prioridades a serem atendidas no programa de qualidade de vida no trabalho (QVT). As ações poderão apontar para condições físicas do ambiente de trabalho (móveis, iluminação, ventilação, etc.), práticas de políticas de gestão, palestras, grupos terapêuticos, ginástica laboral, dependendo das necessidades apontadas pela pesquisa-diagnóstica.
  5. Avaliação e manutenção: é a fase em que se tem a confirmação, ou não, de que o projeto está gerando resultados. A avaliação pode ser feita anualmente aplicando a mesma pesquisa utilizada na fase do diagnóstico ou até mesmo com outros métodos. É importante manter o comprometimento com a continuidade do projeto para que ele se fortaleça e ganhe credibilidade.

Como os programas de QVT podem ajudar

Como visto anteriormente, os programas de qualidade de vida no trabalho partem da realidade das organizações. Eles têm foco em resolver algumas situações-problema do contexto organizacional.

Um colaborador que tem uma dieta alimentar pobre, por exemplo, tem menos disposição para o trabalho e maior probabilidade de desenvolver doenças. Isso pode ser incluído em um programa de QVT que orienta as pessoas sobre os riscos da má alimentação, oferece dicas de receitas baratas e saudáveis e traz palestras informativas.

Caso MetLife

A empresa MetLife fez uma parceria com uma rede de academias, em outubro de 2015, oportunizando aos colaboradores de suas 27 filiais no Brasil acesso a esse serviço. Andrea Barradas, vice-presidente de Recursos Humanos da empresa, conta que os colaboradores se reúnem semanalmente para realizarem aulas em grupo de diversas modalidades.

Para Andrea esse hábito desenvolve um espírito de equipe contribuindo para o aumento da cooperação entre os colaboradores da organização. O programa tem gerado benefícios para a empresa e seus colaboradores, melhorou o clima organizacional, reduziu o absenteísmo e a rotatividade, ajudando a reter os talentos na empresa.

Caso Itaú

No Itaú, banco privado, são fornecidos serviços de apoio pessoal para colaboradores e familiares. O atendimento é disponibilizado por telefone 24 horas por dia e conta com atendimento de psicólogos, advogados, nutricionistas, assistentes sociais e até personal trainers. Em seus principais polos administrativos o banco possui um ambulatório com especialista para coleta de exame de sangue.

Marcelo Orticelli, Diretor de Pessoas do Itaú, diz que anualmente é realizada uma pesquisa onde são abordadas questões sobre o ambiente organizacional do banco para averiguar se os colaboradores consideram o ambiente saudável para se trabalhar. Com relação ao ano anterior, Marcelo conta que ocorreu um aumento de sete pontos percentuais na questão e afirma que a organização está no caminho certo.

O Itaú ainda oferece espaços com o nome “Corpo e Mente” onde os colaboradores podem fazer massagens, shiatsu, reflexologia e drenagem linfática.

Os programas de QVT quando bem planejados e implementados podem trazer grandes benefícios para as empresas e seus colaboradores. Mas, para que seja eficaz, deve ter continuidade e adesão da alta administração, dos gestores e da equipe.