Neurociências, assim no plural mesmo, são as diversas ciências que estudam o sistema nervoso – compreendido pelo cérebro, pela medula espinhal e pelos nervos periféricos-, suas estruturas, mecanismos e processos de desenvolvimento. Fala-se no plural porque são diversas as áreas envolvidas nesses estudos. Por exemplo: biologia, psicologia, neurologia, entre outras.

Uma das áreas de atuação das neurociências é a neurociência cognitiva, que estuda os diferentes mecanismos de aprendizagem, o processamento da informação, a memória, a construção do raciocínio e a formação do pensamento. É desta área que a educação corporativa pode colher muitas informações úteis aos programas de treinamento e desenvolvimento, de uma forma geral.

A neurociência cognitiva explica que o processo de aprendizagem é o resultado de modificações das conexões entre os neurônios, ou seja, devido à sua característica de plasticidade, nosso cérebro vai se modificando conforme as diferentes experiências que vivenciamos.  Concluímos, então, que a experiência é o ponto de partida para toda aprendizagem.

O principal objetivo da área de educação corporativa é desenvolver experiências de aprendizagem que sejam efetivas. Além disso, seu maior desafio é tornar a empresa um grande ambiente de aprendizagem contínua. Ao aplicar os diferentes conceitos de neurociência cognitiva nos programas e processos de treinamento e desenvolvimento, a área poderá ter resultados muito melhores.

Nosso cérebro recebe 400 milhões de bits de informações por segundo. E só absorve 0,0005% desse total. Em ações de treinamento e desenvolvimento, cada pessoa vai filtrar e absorver as informações de forma particular. O tipo de informação armazenada e o significado atribuído a ela dependerá do sistema cognitivo de cada um, seus conhecimentos prévios, suas experiências, crenças e valores.

Apesar de não ser viável prever o que cada participante irá reter de informação, é possível criar programas de Treinamento e Desenvolvimento que considerem os diversos princípios de funcionamento do cérebro para a aprendizagem, tornando as ações de educação corporativa verdadeiramente transformadoras.

Veja algumas conclusões neurocientíficas e sua relação com a educação corporativa:

  1. A emoção influencia no processo de retenção da informação

As informações chegam em nosso cérebro a partir das diversas experiências de aprendizagem pelas quais passamos. Elas são processadas de acordo com os conhecimentos prévios que temos e também de acordo com os sentimentos e emoções que experimentamos no momento de aprendizagem e que temos registrados em nossa mente.

Para que um programa de treinamento e desenvolvimento seja mais bem aproveitado pelos participantes, ele precisa proporcionar experiências positivas, engajadoras, que sejam marcantes.

  1. Os registros da memória são mais efetivos quando associados aos conhecimentos prévios do aprendiz

A ativação das redes de neurônios acontece, normalmente, por associação. Nosso cérebro consegue decorar informações através da repetição, por exemplo. Porém, o registro da informação será mais efetivo se forem criadas associações com o conhecimento prévio dos alunos.

Toda ação da educação corporativa precisa ser pensada a partir desta consideração. Todos os exemplos, casos de sucesso, exercícios e outros recursos de aprendizagem precisam estar contextualizados dentro da realidade dos colaboradores e considerar o conhecimento que já possuem. O facilitador deve criar condições para que os participantes enxerguem um significado nos conteúdos apresentados.

  1. A aprendizagem é influenciada pelo mecanismo de atenção

A atenção, juntamente com a emoção e a memória, é fundamental para a retenção do conhecimento e a construção da aprendizagem. O cérebro só processa o que é objeto de sua atenção.

Ao criar estratégias e soluções para aprendizagem, os responsáveis pela educação corporativa precisam, a partir do conhecimento do público-alvo, planejar experiências estimulantes e que façam sentido para os participantes.

A aprendizagem é um processo que envolve fatores cognitivos, psicológicos, sociais e emocionais. Ao considerar os conceitos de neurociências, a área de educação corporativa poderá desenvolver soluções mito mais efetivas.