Em períodos de crise, falar a respeito de treinamento e desenvolvimento de pessoas pode até soar estranho, afinal, esse é um dos programas de RH que mais foi afetado pelo corte de gastos. Contudo, muitos executivos da área tomaram o caminho inverso e resolveram apostar em treinamento e desenvolvimento com velhas ou novas abordagens.

Prova disso é que a última edição da pesquisa “O Panorama do Treinamento no Brasil”, da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento (ABTD), mostrou que a retração da economia reduziu os investimentos no setor, mas o volume de horas de treinamento por funcionário (16,6 horas) permaneceu estável.

O cenário de instabilidade e incertezas quanto ao emprego levou muitos profissionais de volta para a sala de aula, visando minimizar as chances de demissão. Tal movimento fez com que os RHs ficassem mais atentos a essa demanda e buscassem maneiras de satisfazer seus colaboradores.

Programas de treinamento e desenvolvimento sempre foram armas poderosas para atrair e reter pessoas, mas em tempos de crise, eles ganharam fama de antídoto contra a falta de inovação. Além disso, as ações de capacitação também serviram (e ainda servem) para motivar funcionários, especialmente aqueles que não tinham grandes expectativas de carreira para esse período.

Baseados em cases de sucesso, revelamos a seguir algumas ideias para promover treinamento e desenvolvimento, mesmo em tempos de crise. Confira:

Cursos in company

Momentos difíceis pedem assertividade na tomada de decisões, e essa premissa deve ser levada em conta na hora de promover treinamento e desenvolvimento de colaboradores.

Sendo assim, uma boa saída são os cursos in company. Planejados e direcionados de acordo com as necessidades da empresa, eles evitam perdas relacionadas à inadequação de conteúdo, tempo, infraestrutura, dentre outras.

Outra vantagem do treinamento e desenvolvimento in company é a integração dos funcionários. Ao se colocarem juntos na sala de aula, eles podem dividir experiências e discutir temas voltados diretamente para o negócio em que atuam.

Programa de disseminadores de conhecimento

Durante a reformulação de seus programas de treinamento e desenvolvimento, muitos RHs encontraram conteúdo e potenciais instrutores dentro da própria organização. Por isso, passaram a convidar seus executivos, profissionais da área técnica e outros líderes para compartilhar experiências e promover o aprendizado.

Programas de multiplicadores ou disseminadores de conhecimento já estão espalhados por todo o Brasil. Em algumas empresas, os mentores recebem incentivos financeiros para participar de um treinamento externo, com a condição de voltar e compartilhar o conteúdo com os demais colegas de trabalho. É uma ideia que tem gerado economia de verba e mais integração entre os colaboradores.

E-learning

Para reduzir custos com treinamentos presenciais – que, por vezes, exigem deslocamento de funcionários e ausências no trabalho –, diversas empresas estão apostando em cursos online ou à distância.

Embora o ritmo do aprendizado fique a cargo do colaborador (cabe a ele definir os horários de estudos), o e-learning costuma apresentar bons resultados justamente por permitir adequações nas agendas das pessoas. Por isso, esse é um recurso bastante adotado na área de treinamento e desenvolvimento.

Mesmo que pareça isolar o profissional, o e-learning oferece diversas facilidades que promovem a interação, como os fóruns de discussões e as videoconferências. Com o crescimento do uso dos dispositivos móveis, a tendência do mobile learning já se faz presente em muitas organizações. Hoje, existem empresas que direcionam 30% de suas ações de treinamento para os dispositivos móveis, especialmente smartphones e tablets.

Seja qual for o projeto e a plataforma, cabe ao RH tornar os programas de treinamento e desenvolvimento assertivos e adequados ao negócio. Só assim os investimentos retornarão para o setor.