A Governança corporativa, segundo definição do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), é o sistema pelo qual as empresas e demais organizações são dirigidas, monitoradas e incentivadas, envolvendo os relacionamentos entre sócios, conselho de administração, diretoria, órgãos de fiscalização, controle e demais partes interessadas.”

Tem como princípios básicos: a transparência, onde as partes envolvidas têm acesso a todas as informações necessárias que norteiam a ação gerencial; a equidade, com tratamento isonômico para todos os stakeholders; a prestação de contas (accountability), de modo claro e diligente; a responsabilidade corporativa, reduzindo as externalidades negativas do negócio e aumentando as positivas.

A prática de governança corporativa prevê a conversão de princípios básicos em recomendações objetivas, com sustentação no alinhamento de interesses, para preservar e otimizar o valor econômico de longo prazo das organizações.

Desta forma, neste momento atual de grande preocupação econômica, bem como seus reflexos nos negócios e resultados das empresas, a prática da governança corporativa passa a ser um fator importante e até mesmo de vantagem competitiva para estas.

Além de permitir o maior controle das suas operações e uma gestão mais eficaz dos riscos, sua aplicabilidade resulta em organizações mais transparentes, estruturadas e responsáveis, focadas na continuidade do negócio.

Espera-se então, que neste sistema de governança corporativa, que envolve o relacionamento e participação das diferentes áreas do negócio, na busca por uma boa gestão, o RH tenha seu papel e espaço garantidos, porém, em muitos casos não é o que acontece na prática.

Apesar de muito se discutir sobre a atuação de um RH estratégico nas corporações, ainda há uma certa escassez de seus gestores nos conselhos de administração.

Josmar Bignotto, membro do conselho de administração do IBGC, declarou para a revista Profissional e Negócios (2015) que em sua visão, o departamento de Recursos Humanos é um elo vulnerável, por ser uma área tida como subjetiva e a que mais recebe opiniões de outras pessoas, pois todos acham que entendem um pouco de RH. Complementa dizendo que para ele, é o departamento mais penalizado nas empresas, por ainda ser visto como um centro de custos. “Contribui para que tudo vá bem, mas acaba não sendo lembrado”, afirma.

É perceptível que nestes últimos anos, este cenário tem passado por gradativo avanço, mas para que tenha uma participação ativa e expressiva no sistema de governança corporativa, é necessário que o RH seja sim lembrado e não somente como um centro de custos, mas como uma área estratégica, que tem grande responsabilidade na gestão de um recurso tão valoroso, que é o humano, na busca dos resultados e objetivos globais das empresas.

Mas como o RH pode mudar este contexto e fortalecer o seu papel? A resposta está na busca de preparo e formação cada vez mais consistentes e no foco dos seus gestores mais voltados ao negócio, no conhecimento do mercado, das finanças, da receita, rentabilidade, Ebitda, entre outros fatores que possam empoderá-lo neste novo papel estratégico e direcioná-lo para as melhores possibilidades de como assessorar o CEO no alcance de seus objetivos e otimização do valor econômico da corporação.

É importante ampliar sua visão e ir além das rotinas de RH e seus subsistemas, ser mais estratégico do que executor, ter coragem e ousadia. Seus esforços precisam estar direcionados à longevidade da empresa e seus números, para que de uma maneira mais ampla, possa contribuir e colocar as pessoas no centro de sua estratégia, o que aí sim fará sentido através das rotinas de RH e seus subsistemas, motivando, atraindo, retendo talentos, reconhecendo, desenvolvendo, entre tantas outras responsabilidades de grande importância, que fazem parte de seu escopo na gestão de pessoas.

Muitos RHs ainda precisam se conscientizar de que a governança corporativa não é responsabilidade somente do CEO, da administração ou de finanças, mas que o RH é coresponsável, assim como as demais áreas do negócio. A prática da governança corporativa se fortalece com a presença fundamentada, de um RH forte e preparado.

Os executivos desta área que entenderam o seu papel na organização e se prepararam para tal, hoje têm voz ativa nos conselhos, com visão global de toda a organização.

Gestores de RH com vivência em negócios e visão estratégica têm sido mais convidados a atuar como conselheiros, na prática da governança corporativa, principalmente nas empresas em que o capital humano é tido como seu principal ativo. Organizações em processos de reestruturação, também têm se beneficiado com a participação ativa destes profissionais no conselho. Esta é uma forte tendência e deve se intensificar ainda mais.

O crescente ativismo dos investidores, as exigências regulatórias, e os inúmeros insucessos corporativos, são alguns dos principais fatores que têm pressionado as empresas e incentivado a prática da governança corporativa, facilitando seu acesso a recursos, contribuindo para sua preservação e para o bem comum, onde ganha a organização, os colaboradores e a sociedade.