Os benefícios são estímulos estratégicos para que os colaboradores se sintam mais motivados, aumentem a produtividade e vistam a camisa da empresa. A maneira como o profissional desenvolve seu trabalho está diretamente ligada à forma como é tratado, e as vantagens são uma forma indireta de compensação, é uma ferramenta que muitas vezes é levada mais em consideração do que o próprio salário.

Sabendo que o comportamento individual é parte fundamental do comportamento organizacional, uma boa gestão de benefícios tem o poder de manter os colaboradores mais qualificados e atrair novos talentos, pois consegue alinhar os privilégios oferecidos às expectativas de crescimento pessoal e profissional do indivíduo.

Mas é necessário levar em consideração diversos aspectos além dos benefícios financeiros, que apesar de muito importantes, são apenas uma face da moeda. Uma companhia que disponibiliza um ambiente de trabalho agradável, uma boa comunicação interna, que dá espaço para ideias e opiniões, que promove momentos de bem-estar e que se preocupa com a qualidade de vida de seus funcionários, consegue gerar aumento do desempenho, da confiança, e claro, resultados efetivos.

A gestão de benefícios pode e deve ser feita de acordo com a realidade de cada empresa, seja ela pequena ou grande, mas a principal dúvida no cenário atual, é como manter e oferecer vantagens em meio à crise econômica.

Planejamento e Comunicação

O planejamento serve para determinar antecipadamente quais as atividades serão desempenhadas para alcançar um objetivo, certo? Em épocas de crise, é fundamental usar esse recurso para buscar soluções antes de possíveis pioras de cenários, mas essas soluções podem ser a criação de alternativas, não necessariamente o corte dos benefícios.

A preparação possibilita que os planos sejam bem pensados, pesquisados e comunicados. É comum que a inconsistência da economia já deixe os colaboradores com certo receio em relação ao futuro dentro da organização, por isso a importância de mantê-los informados e conscientizados sobre o porquê de possíveis mudanças de benefícios.

Redução de custos extras

Falou em crise, falou em redução de gastos. O que não significa sair cortando os benefícios, mas sim, se atentar mais aos detalhes. Por exemplo, estudos mostram que a maioria das empresas não possuem um controle efetivo sobre os custos de vale transporte e vale refeição. Claro que se é direito dos colaboradores, eles devem receber, mas será que de acordo com as faltas ao longo do mês, o valor dos benefícios em relação aos dias não trabalhados está sendo descontado da folha? Seria pouca diferença? Talvez sim, tudo é proporcional ao número de funcionários, mas pode acreditar: no fim, as alterações são relevantes.

Da mesma forma os custos com hora extra também podem ser repensados. É importante analisar se a presença do profissional além do seu horário de expediente é realmente imprescindível, pois isso pode até acabar se tornado um hábito, mais do que necessidade. Seguindo a mesma linha, dependendo do ramo em que a empresa atua, também é interessante averiguar se em feriados, por exemplo, é primordial que toda a equipe trabalhe ou apenas parte dela. O custo da hora extra ou do feriado é baixo em relação ao restante? Pode até ser, mas com certeza interfere negativamente nas contas.

Quanto ao auxílio saúde, qual foi a última vez que a empresa levou em consideração trocar o plano ou a operadora por outra que ofereça os mesmos serviços, mas com valores inferiores? E quanto às regras de elegibilidade do plano, já pensou em implementar? Às vezes a trabalheira e a burocracia que determinadas mudanças podem causar, fazem com que a paralisia se instale e as contas aumentem. Isso se estende aos planos de telefonia, à troca de fornecedores, aos custos fixos que podem ser reduzidos se algumas medidas de racionamento forem adotadas por todos, entre outros exemplos.

Portanto, o papel do RH nessa situação é atuar no controle de uma forma mais rigorosa, pois a diminuição dos gastos está diretamente ligada ao fato da empresa não precisar cortar os incentivos, que possuem um papel tão importante na motivação e no desempenho dos profissionais.

Mudança de estratégia

Como já dito anteriormente, os benefícios não se referem somente às vantagens financeiras, como plano de saúde, auxílio-educação, comissões, participação nos lucros, mas também no quesito bem-estar, qualidade de vida e possibilidade de crescimento dentro da empresa. Dessa forma, diante da crise, as estratégias podem ser alteradas.

Caso não seja mais possível pagar por determinadas conveniências, substitua por alguns privilégios que – de fato – continuem beneficiando os colaboradores, por exemplo: redução da jornada de trabalho em algum dia da semana, flexibilidade de horários, utilização de banco de horas, ou até mesmo, proporcionar que determinadas pessoas trabalhem de casa (se possível), são algumas das medidas que mais agradam dentro das organizações. Como o tempo parece se tornar cada dia mais curto e mais almejado diante de tantas atividades e compromissos, esses recursos acabam motivando, assim como geram um importante saldo positivo na vida pessoal.

Vale incluir também estratégias criativas, como ações durante o expediente (café da manhã, sessões de massagem, dinâmicas), sorteios, metas e desafios que, quando alcançados, gerem algum bônus, facilidade ou promoção para o colaborador.