No CONARH 2019, Pedro Paro, Especialista em Propósito, Cultura e Estratégia, apresentou a palestra “Como lucrar a partir da paixão e do propósito” e nos mostrou como podemos elevar a humanidade inspirando negócios sustentáveis, inovadores, conscientes e, principalmente, humanizados.

Uma empresa humanizada pode ser definida como aquela que olha para o colaborador como propósito principal, que se preocupa com o seu bem estar, atende aos interesses de todos, dá espaço para receberem suas ideias e compartilha tudo, tanto os bons acontecimentos como os ruins. Resumidamente, vai além de apenas ganhar dinheiro.

O movimento dessas empresas humanizadas é a paixão e o positivismo para gerar impacto e valor compartilhado para todas as partes interessadas – colaboradores, clientes, investidores e sociedade.

Através da pesquisa Empresas Humanizadas, que inicialmente era um trabalho de doutorado realizado pelo próprio Pedro Paro, lançada em março deste ano, após análises realizadas durante dois anos em 1115 companhias, ficou comprovado que empresas humanizadas tem um desempenho financeiro seis vezes superior, a longo prazo, ao das 500 maiores empresas do Brasil.

Foram definidos quatro pilares como prática para gerar valor compartilhado e fazer negócios de uma maneira diferente. Através da pesquisa realizada foi possível identificar que existe uma forte correlação entre os quatro pilares, a satisfação dos colaboradores, a satisfação dos clientes e o resultado financeiro obtido do negócio.

  • Propósito maior: a razão de ser da empresa deve ser algo que faça a diferença no mundo, e é com essa diferença que irá gerar o lucro. Ter esse propósito claro e estimulante faz toda diferença na vida organizacional.
  • Orientação para stakeholders: a realização das mesmas finalidades pelo auxílio mútuo entre os stakeholders faz com que a gestão crie estratégias para gerar valor compartilhado, usando a inovação e o empreendedorismo.
  • Liderança consciente: a principal vertente do líder é ser um mentor, motivando e inspirando seus colaboradores, para que todos atinjam juntos seus objetivos, além de instigar outras pessoas a se tornarem líderes também, sem deixar de lado seus próprios interesses e metas dentro da organização. Assim como mostra a pesquisa das Empresas Humanizadas, os líderes que ocupam este cargo por acreditarem na organização e na importância de estar à serviço das pessoas é de 116% superior comparado as empresas comuns.
  • Cultura consciente: a cultura de uma empresa nada mais é do que os valores, princípios e práticas sociais, que conectam todos os stakeholders ao mesmo objetivo e propósito. Quando uma cultura não é transparente e praticada, os colaboradores não se movem no mesmo rumo. Essa ideia é reproduzida através da sigla TACTILE: confiança, autenticidade, cuidado, transparência, integridade, aprendizado e empoderamento.

A questão de maior impacto respondida na pesquisa foi: se a empresa deixasse de existir, os stakeholders sentiriam falta? Foi identificado que quando se trata de empresas comuns, três em cada dez pessoas sentiriam falta, pois se trata apenas de uma transação, uma questão de preço, não tem aquele algo a mais.

Quando se trata de empresas humanizadas, nove em cada dez pessoas, sentiriam falta porque o propósito do negócio é único.

Como estudo de caso, foi apresentada a empresa Natura, que é movida pela sua razão de ser, onde comercializa produtos que proporcionam o bem estar, e que estão diretamente relacionados com o bem estar consigo mesmo e com seu corpo. A Natura possui hoje mais de cinquenta práticas conscientes, uma delas é o Programa Qlicar, é um programa corporativo que tem como objetivo alavancar o fornecimento através da gestão de performance dos fornecedores, outro é o indicador próprio chamado IDH – CN (Índice de Desenvolvimento Humano das Consultoras da Natura), que é utilizado como ferramenta estratégica para melhorar a vida das consultoras e apoiar o crescimento, visando não apenas elas, mas sim toda a família.

O foco da pesquisa não é gerar um ranking, mas sim mostrar os bons exemplos que existem no Brasil, visando que outras empresas possam aprender com os exemplos mostrados.

Afinal, todas as empresas são feitas de pessoas, se relacionam com pessoas e geram valor para outras pessoas, então é importante entender o modelo de negócio de uma forma mais sistêmica e assim a importância da humanização dos negócios.

A humanização não é apenas uma “moda”, é um resgate da essência dos próprios negócios.

Não existe empresa perfeita, todas tem ou passam por problemas, e é necessário sempre buscar melhorias para evoluir, mas podemos sempre dar espaço para que todos que estão contribuindo com o crescimento dela se sintam bem por ocuparem o seu lugar.

 

Pedro Paro

Consultor, pesquisador e palestrante

Especialista em Propósito, Cultura e Estratégia