A Lei nº 8.213/91 estabelece uma obrigatoriedade, para empresas com mais de 100 funcionários, de preencherem parte de seu quadro com pessoas com deficiência. Também conhecida como Lei de Cotas, ela foi criada com a finalidade de proporcionar inclusão e igualdade de oportunidades a pessoas com deficiências físicas, mentais, sensoriais ou múltiplas, possibilitando o acesso a direitos fundamentais, definidos na Constituição.

Apesar da Lei, ainda é grande o número de empresas que não consegue tornar realidade as cotas estabelecidas. De acordo com pesquisa realizada pela ABRH-RJ (Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro), o percentual de empresas que ainda não se adequou à legislação corresponde a 44,4%, um número ainda alto, passados 15 anos de sua promulgação da lei.

O alto percentual identificado é um indicador das dificuldades que o mercado tem para realizar a inclusão de pessoas com deficiência. As barreiras são as mais diversas: custo com adaptações físicas na estrutura das empresas (adaptações de instalações, por exemplo, como construção de rampas e banheiros adaptados), aquisição de softwares especiais (de leitura com áudio para deficientes visuais, por exemplo), dificuldade de captar pessoas com deficiência com as mesmas qualificações requeridas para as vagas, e apresentadas pelas pessoas que não possuem deficiência, entre outras.

No entanto, as maiores dificuldades ainda estão no campo comportamental: o preconceito e a dificuldade em lidar com pessoas com deficiência ainda são grandes. Muitas vezes enxergamos essas pessoas como limitadas ou incapazes. Uma vez integrada na empresa, a pessoa com deficiência vivencia dificuldades no relacionamento com colegas e isso acontece porque não estamos preparados para recebê-las.

O que as empresas podem fazer, então, para conseguirem promover a inclusão efetiva de pessoas com deficiência, garantindo seu acesso a oportunidades de emprego, mas também facilitando seu convívio social?

Em primeiro lugar é necessário analisar toda a estrutura de cargos existente e mapear as oportunidades de inclusão em cada uma das posições. É importante conhecer os diferentes tipos de deficiência para identificar quais podem se adaptar a cada atividade.

Ao disponibilizar uma vaga, a empresa precisa fazer uma descrição específica. Solicitar requisitos idênticos aos solicitados para uma pessoa que não apresente deficiência na maioria das vezes irá inviabilizar a captação de profissionais com deficiência, por exemplo: muitas pessoas com deficiência não possuem experiência profissional. Isso acontece porque, historicamente, elas não tinham oportunidades no mercado de trabalho.

Para preencher a lacuna da experiência profissional e, muitas vezes, de formação e escolaridade, as empresas têm oportunizado cursos de capacitação profissional para este público. Alguns exemplos de cursos que são oferecidos: português, matemática, redação comercial, técnicas de atendimento, entre outros.

Como nossa sociedade não possui uma infraestrutura adequada para a inserção social da pessoa com deficiência, muitas delas não tiveram a oportunidade de ter uma boa formação. Então até mesmo o nível de escolaridade dos profissionais requeridos devera ser levado em consideração.

Algumas empresas fazem parcerias com instituições de ensino, como SENAC e SENAI, para contratar profissionais formados ou ainda contratam com um nível de escolaridade diferente, acordando a continuidade dos estudos com o profissional, por exemplo: para uma vaga que requer nível superior completo, a empresa aceita um candidato ainda cursando a faculdade, para que, uma vez contratado, ele finalize a formação. Essa flexibilidade é necessária para que a inclusão se efetive, frente às dificuldades do mercado.

Uma vez contratada a pessoa com deficiência, é preciso que toda a empresa esteja preparada para recebê-la. É fundamental capacitar líderes e colaboradores para se relacionarem melhor com essas pessoas. É preciso criar uma cultura inclusiva, onde todos sejam tratados com igualdade de condições. É impraticável, por exemplo, contratar deficientes auditivos sem que a equipe saiba como se comunicar em libras. É preciso pensar nas necessidades da pessoa com deficiência e de que forma a empresa poderá supri-las.

Diversas empresas, entre ONGs, consultorias privadas e instituições públicas, prestam assessoria para inclusão de pessoas com deficiência. A inclusão apenas acontecerá de forma efetiva, se os colaboradores se sentirem integrados no ambiente corporaivo.