Todo profissional de recursos humanos sabe que, nos tempos atuais, um bom salário, por si só, não é mais capaz de atrair e reter os melhores funcionários. Dentre os diversos fatores que mais seduzem os talentos, a cultura organizacional vem se destacando como um quesito relevante.

Mas o que significa cultura, no âmbito empresarial? O professor Edgar Schein, um dos fundadores desse conceito, definiu a cultura organizacional como o sistema de ações, valores e crenças compartilhado que se desenvolve numa organização e orienta o comportamento de seus membros.

Em outras palavras, é possível afirmar que a cultura é praticamente o DNA de uma empresa; é a expressão do seu modo de agir (nos âmbitos interno e externo) para que determinados objetivos sejam alcançados; é a identidade da companhia.

Para o pesquisador James Heskett, da Universidade de Harvard, a cultura influencia os aspectos financeiros e não financeiros das organizações, tais como o relacionamento com o cliente, sua fidelidade à marca e a retenção de talentos – foco dessa análise.

Diante disso, fica a pergunta: como a cultura organizacional pode, de fato, atrair e reter talentos? Encontre algumas respostas nos tópicos a seguir.

A cultura organizacional como fator de atração

Conceitos como missão, valores e crenças não são apenas subjetivos, como parecem. Conforme dito anteriormente, bons funcionários deixaram de dar prioridade exclusiva ao salário na hora de tomar decisões de carreira. Além de uma boa remuneração, eles querem receber propostas de trabalho que se adequem ao seu perfil profissional e pessoal.

E é nessas horas que a cultura organizacional entra em jogo, por exemplo: uma empresa marcada por uma cultura que valoriza a competição dificilmente atrairá talentos que atuem em esquemas colaborativos. O profissional pode até aceitar a proposta, mas sua contratação, uma hora ou outra, será considerada um erro.

Por outro lado, se o candidato à vaga conhece, aceita e valoriza a cultura que lhe foi apresentada, a empresa passa a ter um ponto a mais na disputa pelo talento. Sendo assim, cabe ao RH zelar pela cultura organizacional para atrair, selecionar e contratar os profissionais certos para seu negócio.

A cultura organizacional e a retenção de talentos

Quando o colaborador se identifica com a cultura, as chances de ele trabalhar com mais motivação e compromisso podem aumentar expressivamente, facilitando o trabalho de retenção por parte do RH.

Pesquisas realizadas pela Survey Monkey, empresa americana de tecnologia, revelaram que uma cultura organizacional significativa vale mais do que um ambiente despojado na hora de atrair e reter talentos no Vale do Silício, região dos Estados Unidos conhecida por abrigar empresas inovadoras, como Facebook, Google, Apple, dentre outras.

Para Rebecca Cantieri, coordenadora do estudo, as pessoas escolhem ficar numa empresa quando encontram propósito no que fazem e percebem que, ali, elas farão diferença. Como vimos, o alinhamento dessa expectativa só pode ser feito através de uma cultura organizacional consistente.

Seus funcionários conhecem a cultura organizacional?

Por mais que a cultura esteja em foco no ambiente de negócios, nem todas as empresas estão colocando o discurso em prática, ou, pelo menos, não o conhecem e nem sabem transmiti-lo. Logo, as chances de um talento se decepcionar com a organização e buscar novas oportunidades podem ser grandes.

Um estudo da consultoria Deloitte, feito com 7.000 executivos em todo o mundo, mostrou que menos de um terço deles entende, de fato, o conceito de cultura. Sendo assim, provavelmente eles não fazem ideia de quais são os valores e crenças que sustentam suas companhias.

Será que esses líderes estão preparados para reter colaboradores de alta performance? E você, gestor de RH, tem zelado pela cultura organizacional da sua empresa? Perguntas como essas podem ajudar qualquer líder a rever seus processos de atração e retenção e buscar melhores resultados.