Normann Kestenbaum, em sua palestra para o CONARH intitulada “O poder do suficiente” mostra a importância de mudanças culturais indispensáveis na adaptação das organizações ao ambiente desafiador de excesso de informação com escassez de tempo. Ele aborda uma questão crucial para a área de Recursos Humanos de todas as organizações:

“Como criar condições para que as pessoas exerçam de fato os talentos pelos quais elas foram contratadas?”

Em rotinas repletas de reuniões, e-mails, excesso de informações e escassez de tempo, a qualidade da informação e a clareza de raciocínio podem determinar o sucesso ou o fracasso de um negócio, uma ideia, uma proposta para a diretoria ou uma recomendação para o Conselho de Administração.

Normann durante o CONARH 2018 apresentou uma alternativa baseada na metodologia de concisão e objetividade que desenvolveu ao longo de mais de 20 anos auxiliando a alta direção de empresas como Whirlpool, Organizações Globo, Grupo Abril, Pepsico e muitas outras. Ele compartilha o cotidiano da sua empresa Baumon que é 100% dedicada a este nicho de atuação e diz que nela própria há anos não é mais utilizado o PowerPoint para o ambiente corporativo. Eles utilizam uma única folha tamanho A3, estrutural (não narrativa), focada em conhecimento estruturado (ao invés de dados retrabalhados) e que permite a absorção simultânea de informação em substituição à sequencial do PPT.

É lógico que para esta alternativa funcionar é indispensável um discurso rigidamente estruturado na cabeça do expositor e para tanto são dedicados dias quando não semanas ao conteúdo. Durante a palestra no CONARH, ele compartilha como isto já é realidade em grande parte das maiores empresas brasileiras e multinacionais com quem lida, além dos maiores escritórios de advocacia do país, utilizando a credibilidade de ícones como Jeff Bezos, Jack Immelt, entre outros, que baniram o PowerPoint dos momentos de decisão da Amazon e GE, respectivamente.

Intimamente relacionado ao tema do CONARH 2018, o protagonismo do RH, a objetividade e concisão bem elaborados permitem os decisores migrarem de um status de reordenadores de dados e informação para um patamar de reflexão profunda, levando-os a exercerem mais efetivamente os seus talentos, com impacto direto na qualidade das decisões e performance da empresa.

Segundo Normann, não é necessário gastar mais do que algumas palavras para descrever o óbvio. Ninguém no ambiente corporativo tem mais a paciência e dedica atenção aos inumeráveis slides de PowerPoint. Literalmente, não há mais sentido em utilizar esta ferramenta um tanto quanto antiga e quando ela é usada para contar histórias, torna-se absolutamente insuportável.

O pacote Office ficou limitado a medida em que foi comodamente apenas incremental ao longo dos anos. Mesmo já tendo passado 21 anos do PowerPoint 95 você consegue produzir seu conteúdo atual nele apenas perdendo um pouco mais de tempo lembrando onde os ícones eram localizados no passado.

A pergunta entre os congressistas no CONARH era: Como evoluir? O PowerPoint colocou todos nós no mundo sequencial. Este é o ponto chave que exige uma mudança radical. Em outras palavras, no modelo atual baseado no PowerPoint, o público tem uma pergunta contínua em sua mente: o que vem a seguir? E esta pergunta pode ficar rodando um longo tempo na nossa cabeça se o apresentador preparou dezenas de lâminas.

Bem, não ser sequencial só nos deixa com uma única alternativa: devemos nos tornar expositores que ofereçam o máximo possível de absorção simultânea de conteúdo às audiências visadas, esta é a mudança disruptiva. O segredo? Uma página A3. A limitação dos centímetros irá fazer o trabalho e você provavelmente está se perguntando: como é que eu vou fazer para encaixar todos os meus slides nesta página? Bem, você não vai, é impossível e esta é a solução milagrosa. Você terá que escolher entre 3 alternativas para seu conteúdo: enxugar, enxugar ou… enxugar!

Bem, todos se perguntaram isto durante a palestra no CONARH, então Normann explica que o procedimento ideal para “enxugar” de uma maneira fácil é você reduzir todos os tamanhos de todas as fontes e isto leva apenas alguns segundos e você cria sua A3, mas … ninguém será capaz de lê-lo sem lentes poderosas. A outra maneira é mais difícil, mas de alta qualidade, o que também só pode ser realizado com 3 alternativas: refletir, refletir e …. refletir! Leva algum tempo. Aqui ouvimos de todos “eu não tenho esse tempo”. Normann, responde: ou você ordena dados e informações (chegará infalivelmente a um resultado fraco) ou você reflete e extrai o conhecimento derivado dos dados e informações (sucesso com certeza). Não há terceira opção aqui!

A melhor notícia é que ninguém cria um A3, você termina em um A3! O exercício de construir, estruturar e enxugar o conteúdo irá organizar a melhor mídia do mundo, o seu cérebro! Sim, exatamente o que você está pensando, você não precisa mais do A3, apenas o seu público como um fator de retenção.

Ao finalizar sua palestra no CONARH, Normann deixa uma mensagem como uma forte motivação dizendo que não está reinventando a roda. O que ele está tentando propor é uma evolução. Esta é uma metodologia já comprovada e com alta credibilidade. Ele diz que sua empresa tem dezenas de trabalhos realizados em um único A3 para grandes corporações locais e multinacionais utilizados para momentos decisivos e envolvendo muitas vezes algumas dezenas, quando não centenas, de milhões de reais.

Ele diz que se você precisa de mais credibilidade, então é só pesquisar um pouco sobre Jack Immelt, ex-CEO global da GE. Ele tinha como item número 1 de sua agenda um programa batizado de “simplificação” que entre outras medidas restringiu o uso de apresentações e limitou-as a um único slide.

Entre seus clientes, os maiores usuários atualmente do A3 são grandes e renomados advogados que o utilizam como plataforma de comunicação inovadora para discutir com os juízes seus casos nos poucos minutos que eles têm para explicar oralmente seus argumentos mais importantes.

Como experiência final compartilhada durante a palestra no CONARH, Normann diz que jamais um interlocutor recusou-se a ver um A3 e todos pediram para mantê-lo como um retentor (com um sorriso e um olhar de alívio).

 

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Normann Kestenbaum
Professor de Comunicação Corporativa no MBA da FIA e sócio-diretor da Baumon