CONARH – Entrevista com Thaylan Toth

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Durante a cobertura do CONARH, o BlogRH entrevistou Thaylan Toth, após sua palestra chamada “Crescimento em alta velocidade e cultura empreendedora em gestão de pessoas”. Nesta palestra ele nos conta como a Stone, uma das empresas que vem crescendo de forma mais vertiginosa no Brasil, passou em um único ano de 800 para mais de 3.200 funcionários e como a tecnologia e processos bem elaboradores ajudaram neste desafio imenso.

BlogRH: Quais são os maiores desafios com a cultura organizacional em um crescimento exponencial de colaboradores?

Thaylan: É muito difícil você manter aquela cabeça de empreendedor a medida que você tiver contratando muita gente o tempo inteiro. Você tem vários desafios de trazer as pessoas certas. Primeiro você precisa de muita gente porque é difícil garantir que você mantenha o seu nível de qualidade que você precisa na contratação e, segundo, na hora que você aumenta e você escala, você tem muita tendência de começar a criar mecanismos de controle, a empresa vai ficando muito grande aí você deve colocar regras para acertar, para organizar e com isso você corre o risco de estar reforçando alguns comportamentos errados. É importante sempre manter a barra na seleção e sempre ficar de olho em todos os seus processos da área de gente, garantir que eles não estão reforçando comportamentos que você não quer.

BlogRH: Você citou na sua palestra que vocês contratam por potencial. Como vocês identificam isto durante a seleção?

Thaylan: A gente utiliza alguns algoritmos utilizando psicométricos em conjunto, então já é uma mistura de personalidade, com o cognitivo, com fit cultural. A gente utiliza isso no processo e presencialmente. A gente tem um modelinho que as próprias pessoas que entrevistam, da área de RH, utilizam na hora de tentar identificar o potencial de uma pessoa nossa. A gente olha muito drive da pessoa, que aquele espírito empreendedor de fato e olha potencial cognitivo, além de outras coisas.

BlogRH: Como vocês usam e para quais finalidades vocês mais usam o People Analytics dentro da Stone?

Thaylan: A primeira coisa são os dashboards que são as informações de fato para os gestores consumirem e tomarem decisões. Segundo, a gente tem uma série de alertas que é para lembrar as pessoas dentro de uma série de regras quando você pode estar deixando um funcionário pouco desassistido ou alguma coisa do gênero, por exemplo, às vezes a pessoa está mais de um ano sem receber um aumento e ela teve uma avaliação super boa de desempenho, então eu disparo um alerta para o gestor dizendo “será que não tem alguma coisa estranha aí? Dá uma olhadinha”, e, terceiro, a gente utiliza algoritmos preditivos de fato, muito na seleção principalmente, dizendo se essa pessoa tem uma probabilidade alta de se encaixar e performar dentro da empresa ou não.

BlogRH: Quais são as maiores dificuldades de se começar a entrar nesse assunto o RH?

Thaylan: Primeiro, geralmente as pessoas que acabam indo para o RH não são pessoas que gostam tanto de estatísticas, números, etc.  Então esse é o mindset da área de pessoas que a gente deveria começar a mudar,  segundo, os sistemas e as áreas costumam ser muito fragmentados. Você tem uma área de recrutamento e seleção, outra área de desenvolvimento, uma outra área de remuneração e elas acabam não se conversando muito bem, tanto em termos de práticas quanto em termos de informação, então é muito difícil você juntar essas coisas no mesmo lugar, que é o que você precisa, para realmente consegui utilizar o People Analytics no seu máximo potencial.

BlogRH: Quais os grandes resultados que você vê que o People Analytics pode trazer?

Thaylan: O negócio do People Analytics é que ele tira muito viés das pessoas, então a gente como ser humano toma decisões muito enviesadas baseado na emoção, as vezes baseado no momento, coisas que não necessariamente são o melhor, então toda a parte de People Analytics pode ajudar a gente a entender alguns padrões por trás das informações do controle das pessoas que é muito difícil um ser humano enxergar a olho nu. Isso pode trazer grandes vantagens principalmente em performance, em turn over, em prestar atenção em coisas que a gente deixa passar muitas vezes.

BlogRH: Você acha que os RHs na maioria das empresas estão preparados para usar o People Analytics?

Thaylan: A grosso modo na minha visão, não, justamente por causa do mindset  ser muito “a gente é gente e não é número”, então isso acaba fazendo com que muitos RHs não consigam adotar essas práticas de People Analytics. Você não precisa ser um cientista de dados, mas você precisa gostar muito de dados e acreditar que de fato eles podem agregar valor, e o negócio de gente por mais que você não possa prever 100%, você sempre consegue reduzir o grau de incerteza e é esse mindset que muitos RHs acabam não tendo, além obviamente de serem muito quebrados, muitas sub áreas e muitos departamentos diferentes com práticas diferentes, o que dificulta muito a centralização de informação para usar o People Analytics de fato.

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Thaylan Toth
Diretor de Pessoas da Stone Pagamentos