As competências do profissional do século XXI

A partir da segunda metade do século XX, iniciou-se uma nova fase de transformações, conhecida como Terceira Revolução Industrial ou Revolução Tecnocientífica, que trouxe avanços tecnológicos cada vez mais velozes à nossa sociedade. As redes de telefonia via satélite, a informatização das organizações e a possibilidade de transmitir dados via internet permitem a integração de países, pessoas e empresas no mundo inteiro.

A competitividade entre as organizações intensifica-se e alcança níveis internacionais, tornando necessário o desenvolvimento de competências diferenciadas para a sobrevivência no mercado. O trabalho manual é gradativamente substituído pelo trabalho intelectual. A Era Industrial dá lugar à Era do Conhecimento, onde a capacidade de gerar conhecimento e produzir inovação torna-se fonte fundamental de riqueza e sustentabilidade para indivíduos e empresas.

Na Era do Conhecimento, os mercados são globalizados as mudanças ocorrem em curtos espaços de tempo e em alta velocidade, tornando o ambiente imprevisível. As pessoas deixam de ser vistas como simples recursos a serem administrados e passam a ser compreendidas como seres dotados de inteligência, conhecimentos, habilidades e personalidade. A área de Recursos Humanos passa então a ser uma área de Gestão de Pessoas, ou Gestão de Talentos, cuja missão é criar a melhor empresa para quem nela trabalha.

Dentro deste contexto, as empresas precisam focar em melhoria contínua e inovação para se manterem competitivas e as pessoas constituem a principal vantagem competitiva de uma empresa. A área de Gestão de Pessoas passa a privilegiar o desenvolvimento de competências que possibilitem a sustentabilidade do negócio em meio a cenários mutáveis e turbulentos.

O novo modelo de competências envolve quatro dimensões individuais. O foco no desenvolvimento de competências contempla incentivar a aquisição de novos conhecimentos (saber), o desenvolvimento de habilidades (saber fazer), a capacidade de julgamento (saber analisar) e apresentação de atitudes diferenciadas (fazer acontecer).

Veja a seguir o novo modelo de desenvolvimento de competências, que apresenta as competências exigidas pelas áreas de Gestão de Pessoas para os profissionais do século XXI:

  1. Conhecimento

O volume de informações é enorme e elas se atualizam em alta velocidade. O conhecimento se torna perecível. Não adianta apenas munir as pessoas de conhecimento. A área de Gestão de Pessoas precisa ensinar os colaboradores a aprenderem continuamente, ampliarem e compartilharem seus conhecimentos.

  1. Habilidade

Não adianta apenas saber. O colaborador precisa ter a capacidade de inter-relacionar seus conhecimentos e aplicá-los no dia a dia. As habilidades a serem desenvolvidas são: visão sistêmica, liderança, motivação, comunicação, adaptabilidade, flexibilidade e, principalmente, trabalhar em equipe.

  1. Julgamento

A capacidade de saber analisar as situações e o contexto em que se apresentam passa a ser um elemento de destaque na matriz de desenvolvimento de competências. Em meio a tantas informações, os colaboradores precisam selecionar aquelas que são relevantes e desenvolver a capacidade de julgamento, avaliando fatos e dados para a tomada de decisão.

  1. Atitude

A atitude empreendedora passa a ser fundamental. A literatura especializada utiliza o termo intraempreendedor, que é o profissional que faz acontecer dentro da empresa, que tem autonomia, é proativo, assume riscos e busca resolver problemas a partir de seus conhecimentos e habilidades, agindo como se ele próprio fosse o dono da empresa. Outras atitudes a serem desenvolvidas pela área de Gestão de Pessoas: orientação para resultados, criatividade, inovação, compromisso com a qualidade e capacidade de atuação como agente de mudanças.

Abaixo, você pode ver um diagrama que sintetiza o novo modelo de desenvolvimento de competências para o profissional do século XXI:

 

Gestão de Pessoas, Idalberto Chiavenato, 3ª edição.

Para contribuir efetivamente com os resultados organizacionais, um dos principais papéis da área de Gestão de Pessoas é apoiar a empresa a lidar com as constantes mudanças pelas quais o mercado passa constantemente. Deve, também, incentivar o autodesenvolvimento, criar um ambiente colaborativo e propício à aprendizagem. Afinal, são as pessoas e seus talentos que irão produzir, criar, buscar soluções, resolver problemas e contornar obstáculos para garantir a alta sustentabilidade organizacional.