Em um cenário estável e cheio de mudanças, as empresas se veem em meio a atritos e dúvidas sobre seu futuro.

Mais do que nunca, criatividade e estratégia andam de mãos dadas para reter talentos e diminuir custos, é preciso inovar e concentrar energias em ideias que possam de fato melhorar e agilizar processos trazendo melhores resultados para a organização ao todo. Hoje o as empresas necessitam de um RH estratégico no qual precisam estar para o negócio, não deixando de lado sua principal missão dentro da empresa, mas sim, alinhar seus valores e promover uma cultura e mudanças baseadas em dados e análises em tempo real e não mais em achismos. Necessita-se de um RH estratégico e que ele possa ser mais assertivo tanto nas contratações quanto nas retenções de talentos e nas melhorias que tragam de fato resultados para a organização e deixem os seus colaboradores satisfeitos.

Já vimos que o corte de funcionários pode trazer mais prejuízos do que ganhos e o RH tem a missão de cuidar para que a organização consiga trabalhar com custos baixos e usar e abusar de renumerações estratégicas, treinamentos efetivos, feedbacks assertivos, tecnologias que automatizem processos, acompanhamentos de desempenho e aplicação de indicadores para manter seus colaboradores alinhados com os valores da empresa e motiva-los sem necessitar de gastos exuberantes e assim fornecer ferramentas que potencializem os resultados.

O RH, mais do que um setor que emprega, paga e demite, precisa se posicionar e ajudar os gestores a caminharem entre dados concretos e análises que os auxiliem nas tomadas de decisões na empresa. O momento é de crise, mas também de oportunidades para que o RH tenha uma atuação estratégica e se posicione de forma assertiva na organização, buscando resultados palpáveis e inovação com base em dados. É um momento crucial no qual o setor pode aproveitar o gancho desta era de mudanças e se transformar em um RH estratégico que anda lado a lado com os seus gestores.

Na entrevista concedida ao BlogRH no CONARH 2017, Beatriz Flores, Diretora de RH da CGG, diz como o cenário político econômico brasileiro impacta o recursos humanos e como o setor deverá se posicionar em meio a crise e tornar-se, finalmente, um RH estratégico.

BlogRH: Quais os impactos que a instabilidade política e econômica provocam no setor de RH?

Beatriz: Considerando que não faz muito tempo que vínhamos observando uma tendência de queda na taxa de desemprego, e uma guerra por talentos, o início da crise exigiu uma virada de chave brusca. A longa duração da recessão tem feito com que equipes e processos precisem ser revistos de maneira mais profunda, com foco não apenas no curto prazo.

BlogRH: Você acredita que o RH, graças a crise, tem se tornado cada vez mais estratégico?

Beatriz: Se não tem se tornado, terá que se tornar. Não apenas para liderar as transformações impostas pela crise, mas para preparar as organizações para o que está por vir.

Política e economia andam de mãos dadas em nosso país. Não é óbvio identificar se a recessão econômica gerou a crise política ou vice-versa. Fato é que os diversos acontecimentos que temos assistido no cenário político têm contribuído para que uma série de mudanças que afetam diretamente a gestão de recursos humanos nas empresas sejam aceleradas e implantadas em um curto espaço de tempo, pois integram a forma com que o governo atual está encontrando para combater a crise e retomar o crescimento econômico.

A lei da terceirização, a confirmação do início do e-social, a reforma trabalhista e uma provável reforma da previdência mudam de forma importante não só a rotina do RH, mas requerem que esteja envolvido na criação da estratégia de maneira cada vez mais presente. Todas estas mudanças projetam o RH a um papel protagonista, e exigem um RH extremamente preparado e responsável para liderar este processo, com impacto direto no negócio.

BlogRH: Quais estratégicas o RH pode tomar para que a empresa não se prejudique tanto caso a crise aumente?

Beatriz: De forma geral, precisamos ter equipes de RH flexíveis e muito próximas ao negócio. Momentos desafiadores exigem criatividade, atenção constante aos ambientes internos e externos, e muito engajamento.

Contudo, sob meu ponto de vista, a crise não deveria desviar o RH de sua prioridade número um que deve se manter na criação de ambientes favoráveis ao estabelecimento de relações de confiança nas organizações.

BlogRH: Você acredita que, este tempo de crise, seja uma oportunidade para o setor se reinventar, já que será exigida mais criatividade dos gestores nas soluções dos problemas?

Beatriz: Crises sempre podem ser encaradas como oportunidades e o grande desafio está em encontrar a maneira adequada para driblá-la de acordo com o contexto de cada momento. A incerteza é uma característica marcante da era em que vivemos, e a habilidade para lidar com cenários incertos pode ser um grande diferencial no contexto atual.

Acredito que este exato momento, em que o RH se vê diante de tantos desafios, quer sejam operacionais, como o fazer mais com menos, quer sejam técnicos, como as mudanças anunciadas pelo governo (reforma trabalhista, por exemplo), ou estratégicos, relacionados aos resultados do negócio em si, pode ser uma grande oportunidade para o RH fazer história.

Os desafios operacionais exigem otimização das formas de trabalho, adoção de processos inteligentes e priorização constante. As mudanças na legislação e no relacionamento com o governo vão exigir do RH um exercício sofisticado de influência junto às diversas camadas das organizações, para que um uso responsável da nova lei seja feito, com o objetivo de estimular a competitividade de maneira responsável, evitando assimetrias indesejáveis nas relações de poder.  No âmbito estratégico, a proximidade e a compressão do negócio em todas as suas nuances, econômico, produtiva, mercadológica, etc., serão ainda mais indispensáveis.

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