Décadas atrás, ser bem-sucedido na carreira significava receber promoções até alcançar o sonhado cargo de liderança. A trilha de carreira percorria posições operacionais ou administrativas, indo depois para supervisão, coordenação e gerência, podendo, em alguns casos, alcançar os patamares de diretoria e presidência. Quanto mais elevada fosse a posição de liderança dentro da hierarquia na empresa, mais sucesso teria o profissional. Era a chamada Carreira em Linha.

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Carreira em Linha. Fonte da imagem: SAESP (Sindicato dos Administradores do Estado de são Paulo)

Tempos depois, as empresas começaram a perceber que alguns profissionais não tinham perfil de liderança. Para eles, o sucesso profissional não estava relacionado a um cargo de gestão. Queriam ser reconhecidos por serem bons no que sabiam fazer. Não havia oportunidades de desenvolvimento para este público. O que acontecia com eles? Ou ficavam estagnados em suas posições ou eram demitidos. Ou, ainda pior, por serem bons técnicos, eram promovidos a líderes e fracassavam em suas novas posições, causando prejuízos à empresa, aos liderados e até mesmo ao próprio profissional.

Dentro deste contexto, veio a Carreira em Y, uma nova possibilidade de trilha de carreira que dá a oportunidade para profissionais com perfil técnico/especialista, proporcionando ascensão, valorização salarial e novos desafios.

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Carreira em Y. Fonte da imagem: SAESP (Sindicato dos Administradores do Estado de são Paulo)

Com a utilização do conceito de Carreira em Y, o colaborador, após percorrer posições administrativas ou operacionais, pode escolher se prefere a trilha de carreira generalista (liderança) ou especialista (técnica), de acordo com seu perfil e interesses profissionais. Ele tem a possibilidade de equiparação salarial com posições de liderança, de acordo com seu nível dentro da trilha, porém com atribuições técnicas. Esse novo conceito possibilitou a retenção de profissionais excelentes, porém sem interesse ou perfil para exercerem liderança.

O mercado evoluiu. As novas gerações de profissionais apresentam perfis diferentes e possuem novas expectativas. Assim, surgiu recentemente a Carreira em W, oferecendo um novo modelo e novas alternativas para a trilha de carreira. A questão é a seguinte: entre seguir uma trilha especialista ou generalista, por que não optar por um caminho intermediário, onde o profissional possa exercer a liderança, porém mantendo atribuições de especialista?

A Carreira em W possibilita a existência de líderes técnicos. São profissionais-referência nas áreas em que atuam que, ao mesmo tempo, apoiam o direcionamento e o desenvolvimento dos colaboradores que estão em níveis de senioridade menores. Isso significa que não deixam de colocar a mão na massa, ainda que estejam em uma posição de liderança.

O líder técnico pode liderar projetos, atuar de forma consultiva e serem multiplicadores de conhecimento em sua área. Para seguir essa trilha de carreira, o profissional precisa receber apoio da empresa no desenvolvimento de algumas competências comportamentais necessárias ao exercício da liderança, como tomada de decisão, coaching, feedback, gestão de relacionamentos, entre outras. Normalmente, especialistas não possuem ou não desenvolveram estas competências. Preparar o profissional é fundamental para que ele atue de forma assertiva no exercício da liderança e traga resultados positivos para a empresa.

Outra característica da Carreira em W é a versatilidade, com a possibilidade de o profissional mudar de área. Um Analista Pleno de Recursos Humanos pode se candidatar a uma vaga de Analista Pleno de Marketing, por exemplo, adquirindo conhecimentos e experiências em uma nova área de interesse.

A Carreira em W é uma flexibilização da trilha de carreira e traz novas oportunidades para os profissionais, permitindo que se tornem autogerenciáveis e desenvolvam suas habilidades de forma mais ampla. O colaborador passa a ter novas perspectivas de carreira e a liberdade de escolher um caminho mais aderente às suas expectativas pessoais e profissionais.

As movimentações podem ocorrer de forma vertical, horizontal ou transversal. Para o colaborador, significa infinitas possibilidades de crescimento e desenvolvimento. Para a empresa, a possibilidade de ampliar e gerir melhor o conhecimento interno, gerar maior satisfação dos colaboradores, reter talentos e, consequentemente, ter maior competitividade em um mercado tão concorrido.

  • Viviane Isoflex

    Achei esse artigo muito interessante e esclarecedor, porque realmente muitos profissionais não desejam seguir uma função de liderança, outro ponto importante é a padronização de trabalho com o uso de Pasta plastica A4