Dentre os diversos índices acompanhados pela área de gestão de pessoas, o absenteísmo se destaca como um dos mais críticos. Tal indicador expressa o número de ausências de colaboradores no ambiente de trabalho, levando-se em conta um determinado período.

Justificadas ou não, as faltas dos funcionários são motivos de preocupação para os profissionais de recursos humanos. Sabemos que as ausências interferem na produtividade e integração da companhia. Contudo, o absenteísmo pode indicar falhas do próprio RH. Cabe ao líder da área identificar a raiz do problema e combatê-la com políticas e práticas consistentes.

Para facilitar esse diagnóstico, listamos, a seguir, algumas das principais causas do absenteísmo e também soluções para controlar esse índice.

Fatores que colaboram para o absenteísmo nas empresas

Doenças e problemas de saúde: Todos os dias, milhares de pessoas se ausentam da organização para lidar com incômodos de ordem física, especialmente aqueles relacionados às lesões por esforços repetitivos.

Além destes, os transtornos mentais e emocionais merecem atenção. Aqui no Brasil, depressão, estresse e outras síndromes são consideradas a segunda principal causa de absenteísmo nas empresas.

De acordo com o International Stress Management Association, 9 em cada 10 profissionais brasileiros apresentam algum sintoma de ansiedade, e quase metade da força de trabalho já lidou com a depressão. O bullying, ou assédio moral, também aparece em pesquisas internacionais como motivo para faltar ao trabalho.

Problemas pessoais e imprevistos: Em grandes cidades, como São Paulo (SP), o congestionamento já é entendido como uma das causas do absenteísmo, pois os atrasos causados por esse fenômeno são vistos como ausências parciais ao trabalho.

A mobilidade urbana precária, somada a problemas de ordem pessoal, como as dívidas, prejudicam a concentração e o bem-estar do trabalhador que, em longo prazo, pode se tornar um profissional improdutivo, estressado e causador de novas faltas ao emprego.

Maternidade: Muitas mulheres têm dificuldades em conciliar vida pessoal e trabalho durante a maternidade. De acordo com a HR Magazine, da Inglaterra, imprevistos com os filhos – tais como doenças, problemas escolares, etc. – levam, em média, 16 horas para serem resolvidos, sendo que 80% desses casos só podem ser solucionados em horários que comprometem o expediente.

É por isso que, além de faltar ao trabalho, muitas profissionais decidem abandonar a carreira para cuidar dos filhos. Logo, o absenteísmo é capaz de evoluir para uma perda de talentos.

Falta de motivação e engajamento: Colaboradores que não estão realmente comprometidos com o trabalho são mais propensos a se ausentar do trabalho, justamente por não encontrar motivação ou propósito no que fazem. Dessa forma, acabam se apropriando de outras justificativas – como doenças, imprevistos, etc. – para faltar e buscar um novo emprego.

Como combater o absenteísmo

Para solucionar esse vilão da produtividade, o primeiro passo é identificar as causas mais críticas do absenteísmo na empresa. Os motivos podem variar de uma organização para outra e, por isso, é preciso recorrer às pesquisas de clima organizacional, cujos resultados dão boas pistas sobre o assunto.

Se a raiz do problema estiver relacionada aos problemas de saúde, uma boa solução é apostar em um programa de qualidade de vida consistente, que atenda as reais necessidades dos funcionários. Vale lembrar que, além dos dilemas físicos, é preciso falar sobre a saúde mental do trabalhador, que já é um ponto crítico para muitas companhias.

Outra sugestão, que vêm virando tendência no Brasil, é a política do trabalho flexível. Quando a empresa libera o funcionário para ajustar os horários do expediente, ou até mesmo trabalhar em casa, até a tarefa de retenção de talentos se torna mais prática, especialmente entre as mulheres.

Já a falta de motivação costuma ser combatida com um diálogo aberto entre líderes e colaboradores. Ajustes de objetivos e definição de novos desafios são capazes de despertar o engajamento dos verdadeiros e bons talentos.

Por mais que o RH não tenha a capacidade de solucionar todos os problemas pessoais dos colaboradores (que interferem, e muito, no absenteísmo), o setor pode oferecer caminhos para que a vida, durante o expediente, seja menos rígida e punitiva, e mais natural e motivadora. Dessa forma, empresas e funcionários acabam se afastando do absenteísmo e ganhando em produtividade.