A culpa é do estagiário! Quem nunca ouviu essa frase, um tanto quanto preconceituosa, pelos corredores das empresas talvez seja uma exceção atualmente. Infelizmente, o estigma que os estagiários possuem de serem profissionais menos qualificados e que sempre estão errando está enraizado em muitas empresas.

Conectados com as últimas tecnologias, cheios de vontade e pertencentes a uma geração que olha não só para o cargo, mas principalmente para a possibilidade de fazer a diferença na empresa, os jovens que pleiteiam por um estágio devem ser vistos com outros olhos. O estágio é aquele do primeiro contato com a futura profissão, provavelmente, o jovem acabou de tomar umas das primeiras decisões difíceis da vida adulta (responder a velha questão “o que serei quando crescer”) e tem a oportunidade de aprender o dia a dia de uma empresa, se desenvolvendo e adquirindo conhecimentos práticos, que até então eram vistos só nos livros da faculdade.

Segundo um estudo na Associação Brasileira de Estágios (ABRES), há cerca de um milhão de estagiários no Brasil. Deste total, 74% já estão cursando uma graduação e os restantes estão no ensino médio/técnico.

Oferta de mão-de-obra tem, mas vamos às vantagens de contratar esses jovens?

01 – Inovação na veia

A maioria dos estudantes do Brasil nasceu no final da década de 1980, década 1990 e início dos anos 2000, ou seja, são jovens pertencentes à geração Y e Z. Isso quer dizer que, para eles, o contato com a internet e com novas tecnologias é algo do cotidiano mesmo. Aplicativos que parecem um bicho de sete cabeças para algumas pessoas, são compreendidos com um piscar de olhos por esses jovens conhecidos como “nativos digitais”. Por serem naturalmente tecnológicos, a probabilidade de circularem com tranquilidade por várias plataformas e estarem aberto à inovação é muito maior. Por conta disso, eles têm facilidade de trazer novas ideias, novas formas de resolver problemas e soluções para dentro das companhias.

02 – Crescer é importante também, óbvio!

Eles querem ser efetivados, gente. Alguns deles, desde o primeiro dia do estágio, já sondam outros colegas estagiários com mais tempo de casa sobre quantos estagiários foram efetivados nos últimos tempos. Eles buscam se destacar, se comprometem bastante com as entregas, prazos e com os horários (claro, em empresas que têm horário de trabalho mais determinado/rígido). Eles apostam que plantando desde o início, as oportunidades vão aparecer. E o resultado você já sabe. Os negócios são impulsionados: jovens com vontade de entregar projetos com qualidade, buscando alcançar ótimos resultados.

03 – De olho nos custos, eles são uma boa saída em tempos de crise

Recessão. Uma fase que vivemos atualmente e que obriga muitas empresas a trabalharem com estruturas enxutas para se manterem no mercado.  Para você ter uma ideia, no ano passado, mais de 12 milhões de brasileiros terminaram o ano desempregados, segundo dados do IBGE. Assustador, não é?  Com esse tanto de gente fora do mercado de trabalho, o consumo diminui e a retração do mercado é certa. O ciclo se reinicia: mais redução de quadro, principalmente na indústria e no comércio.

Mas e aí? As empresas precisam entregar projetos, atender clientes, melhorar produtos. Os estagiários surgem como uma maneira de resolver essa equação durante esse período em que vivemos: contratar estagiários requer menos investimento, pois não há vínculo empregatício e as bolsa-auxílio não possuem as taxas e contribuições exigidas pela lei trabalhista. Fica menos oneroso para a folha de pagamento, e ainda vale ressaltar que a oportunidade de estágio tem também um importante valor social: para muitas famílias, a bolsa-auxílio do estagiário até ajuda a complementar a renda da casa.

04 – A lei está do nosso lado!

A Lei número 11.788/2008 regulamenta a contratação de estagiários. Segundo o artigo 1º. desta lei, “Estágio é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam frequentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional, de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos”. Isso quer dizer que, se a empresa deseja contratar um estagiário, é obrigatório que ele esteja devidamente matriculado em uma instituição de ensino. Além disso, durante período de atividades desenvolvidas na empresa, ele precisa apresentar relatórios que avaliam o desempenho do estudante. Esses documentos são validados pelo gestor direto dele na empresa, pela escola onde estuda e pelo próprio estagiário. Para finalizar, ainda existem os agentes de integração que facilitam o trâmite de documentos e apoiam no cumprimento das exigências legais.

Busca por resultados melhores, mais criatividade e inovação, maior eficiência nos processos são pontos fundamentais para uma empresa crescer e se solidificar no mercado. Tudo isso se torna possível quando se mistura gerações diferentes para trabalharem juntos, o “sangue novo” e o brilho dos olhos de quem está iniciando a carreira.

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